“É sufocante”, escreveu Dani para a melhor amiga sobre namoro que acabou em morte
Em mensagem, vítima de feminicídio ainda pontuou que deseja procurar delegacia e denunciar relacionamento abusivo
“Jana vo na delegacia, chega” (sic). A mensagem enviada a melhor amiga foi escrita por Daniela Luz, de 30 anos, no dia 8 de maio. Na ocasião, a mulher desabafava sobre o relacionamento abusivo que viveu ao lado do mecânico João José Furtado Nunes, de 32 anos, com quem namorou por cerca de sete meses. Vinte e quatro dias depois, sem ter denunciado o companheiro, Dani foi brutalmente assassinada por ele, junto do filho, de 14 anos.

Do outro lado, era a atendente Janaina Alves, de 27 anos, que cresceu junto com Daniela, quem aconselhava a amiga. “No dia, ela contou que falou que estava indo ao mercado comprar carne, porque eles ficavam o dia todo grudados e ela queria sair um pouco”, contou emocionada a amiga, que esteve no velório e também no enterro das vítimas, na manhã desta sexta-feira (3), em Ribas do Rio Pardo.
Ao desabafar sobre o momento que vivia, Dani também descreveu como enxergava as atitudes abusivas do namorado. “Jana to cansada. O João não muda. Muita desconfiança, sendo que não ando fazndo nd…”, (sic). “É sufocante”, definiu.
No mesmo dia, a vítima explicou que o namorado chegou ao supermercado “abraçando e beijando ela na fila”. Foi ao ouvir os conselhos de Janaina que Daniela mencionou a intenção de procurar a polícia. “Chega, o cara não me respeita”, concluiu.
Mas, apesar do desejo de denunciar o companheiro, Daniela continuo com o relacionamento. Inclusive, uma hora e meia antes de ser morta, ela esteve na casa da melhor amiga, acompanhada do namorado.
“Não sei se ela estava sentindo”
Conforme Janaina, o casal ainda a ajudou a transportar móveis que estavam na casa onde morava, no local onde trabalha, para a casa da irmã. “Pedi ajuda para tirar as coisas do lugar onde eu estava. O João foi com a gente”.

Foi João quem dirigiu o veículo durante a mudança. Quando terminaram, o suspeito teria insistido para que Janaina fosse junto com eles para a casa onde o crime aconteceu. “Ele ficou insistindo, ficou falando “ela vai, ela vai”. Mas a Dani pegou no meu ombro e falou ‘não vai não Jana, fica aqui. Amanhã eu venho te ajudar a lavar roupa’. Isso já era umas 10 horas da noite”, explicou. “Não sei se ela sabia alguma coisa, se estava sentindo, mas ela não me deixou ir”.
O tchau foi também o adeus entre as amigas. Por volta das 23h30, da última quarta-feira (1º), a Polícia Militar foi acionada após a filha de Daniela sair gritando na rua e pedindo ajuda. “Mataram minha mãe!”, falou a pequena.
Assassino também ameaçou a amiga
Segundo a amiga, há meses João José vinha dando sinais de que ele queria afastar a namorada da família e dos amigos. Inclusive, em abril, Janaina chegou a ser ameaçada por ele.
“Eu estava ao lado dela e vi que ele começou a mandar mensagem. Ele falou: “eu vou matar essa ‘praga’, porque vocês ficam juntas demais”. Foi nessa hora que Janaina pegou o celular da amiga e começou a discutir com o suspeito.
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Em outro momento, João também tentou jogar o irmão gêmeo de Daniela contra a vítima. E ainda teve ocasião em que ele se passou pela namorada para conversar com o ex-marido dela, pai de Gustavo Luz dos Santos, de 14 anos, que foi morto junto da mãe.
Uma tia de Daniela confirmou à reportagem que a sobrinha estava afastada da família. “Nós desconhecíamos o motivo do afastamento. Só agora percebemos que ela estava distante por culpa do João”, relatou Zilda Bazilia da Silva.

O assassino
João José fugiu logo após o crime. Do Maranhão, o mecânico estava em Ribas do Rio Pardo para trabalhar. Ele morava no alojamento em frente à casa da vítima e, foi por conta dessa proximidade que os dois se conheceram.
Buscas foram realizadas durante a madrugada seguinte ao crime e, logo depois de amanhecer, por volta das 10 horas da manhã, ele foi encontrado por policiais militares. Após tentar avançar na equipe, ele acabou baleado.
O assassino chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

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