Em MT, 70 filhos perderam as mães para o feminícidio em 2021

Levantamento feito pela Polícia Civil de Mato Grosso mostra que, em 2021, 70 filhos perderam as mães vítimas de feminicídio, entre crianças, jovens e adultos. Os números mostram que 21 eram filhos das vítimas com os autores. Entre os registros de feminicídios, duas vítimas estavam grávidas quando foram mortas. Os dados integram um estudo realizado, desde 2020, pela Diretoria […]

Levantamento feito pela Polícia Civil de Mato Grosso mostra que, em 2021, 70 filhos perderam as mães vítimas de feminicídio, entre crianças, jovens e adultos. Os números mostram que 21 eram filhos das vítimas com os autores. Entre os registros de feminicídios, duas vítimas estavam grávidas quando foram mortas.

Os dados integram um estudo realizado, desde 2020, pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil para traçar o perfil de mulheres vítimas de mortes violentas. O levantamento, coordenado pela Gerência de Inteligência Estratégica, é realizado com base nos boletins de ocorrência e em inquéritos policiais.

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MT registra 70 filhos que ficaram órfãos de mãe em casos de feminicídio. Foto: Christiano Antonucci / Secom-MT

São compilados dados sobre local dos crimes, meio empregado nos assassinatos, solicitação de medidas protetivas, perfis das vítimas, vínculo entre vítimas e autores dos crimes, índice de esclarecimento dos homicídios e os efeitos da violência contra mulheres.

Feminicídios

Dos homicídios e feminicídios cometidos no ano passado contra mulheres, 80% foram esclarecidos. Do total de crimes ocorridos, 66 autores foram indiciados e 24 casos seguem em apuração.

Josilaine Maria Gomes dos Reis, 31 anos, deixou três filhos órfãos de seus cuidados. Ela foi morta a facadas pelo ex-companheiro, com quem tinha um filho pequeno. Ele não aceitava o fim do relacionamento e na noite de 5 de outubro de 2021, invadiu a casa dela, no bairro Nova Esperança, em Cuiabá, e na frente dos filhos atacou a ex-mulher.

A técnica de enfermagem estava dormindo quando sofreu os primeiros golpes, que terminaram dentro do banheiro da casa. Após cometer o crime e também atentar contra a própria vida, ele pediu às crianças que fossem até um vizinho para avisar o que havia cometido e chamasse a polícia.

Outro crime que deixou crianças órfãs e produziu uma tragédia familiar foi registrado pela Polícia Civil em dezembro de 2021, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Franciele Robert da Silva, 33 anos, técnica em enfermagem, foi morta pelo ex-marido, que invadiu a casa dos pais à sua procura.

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Para defender a filha, o pai de Francieli, de 67 anos, entrou em luta corporal com o ex-genro e foi ferido gravemente. Depois, o criminoso foi até o quarto onde a vítima tentava se esconder, junto com a filha de 12 anos, arrombou a porta e esfaqueou Francieli, que não resistiu. O pai dela chegou a ser socorrido a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.

Órfãos do feminicídio

Em Cuiabá, o projeto ‘Solidariedade em Ação’ vai doar a 20 crianças que ficaram órfãs após crimes de feminicídio o valor correspondente a meio salário-mínimo mensal, R$ 606. Os beneficiários foram selecionados por um comitê gestor da Prefeitura de Cuiabá após serem indicados pelo Poder Judiciário e delegacias especializadas.

A maioria dos órfãos do feminicídio é menor de idade. Em três dos 20 crimes registrados neste ano, os filhos viram as mães serem mortas pelos próprios pais.

Formas de denúncia

Em todo o estado, há oito delegacias especializadas de atendimento às mulheres. Há também:

Para realizar uma denúncia tanto pela internet quanto pelo telefone é necessário saber:

  • saber relatar o crime;
  • onde ocorre(u) ou ocorrerá o crime;
  • quando ocorre(u) ou ocorrerá o crime;
  • quem são os envolvidos (suspeito/Autor – Vítima) no crime;
  • onde podem ser localizados os envolvidos.

Ferramenta

O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ tem um ‘botão do pânico’ criado para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O recurso permite que as vítimas registrem denúncias em 30 segundos no Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública).

Pelo aplicativo, a vítima faz um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva. Depois de acionar o botão, o Ciosp envia a viatura mais próxima em socorro à vítima.

O recurso está disponível para Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis, onde já têm unidades do Ciosp. Para outros municípios, o aplicativo oferece as funcionalidades de canal de denúncias, solicitação de medida protetiva e telefones de emergência.

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