Empresários estão entre os 11 indiciados por assalto a banco em Brasnorte
Os investigados vão responder por cinco crimes: roubo majorado, sequestro e cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo e associação criminosa.
Onze suspeitos, presos pelo assalto armado à agência do Sicredi, em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, foram indiciados pela Polícia Civil. O inquérito foi concluído nessa quinta-feira (14). Os indiciados vão responder pelos crimes de roubo majorado, sequestro e cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo e associação criminosa.
Dentre os indiciados estão dois empresários locais, que, segundo as investigações, planejaram o crime com o grupo por 20 dias.
Dois policiais militares, que trabalham no município, foram presos em flagrante, suspeitos de facilitar a fuga dos autores do crime, a responsabilização da ação dos agentes fica a cargo da Corregedoria da PM.
De acordo com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), os investigados atuaram como autores, coautores e partícipes, sendo identificados por meio de provas, laudos periciais e imagens de câmeras de segurança.
Ainda segundo a polícia, o inquérito individualizou a conduta de cada investigado para prosseguimento da ação penal.
Veja lista dos indiciados:
Valdemar do Nascimento Alves
Fabrício da Silva Lima
Osvaldo Pereira De Souza
Eduardo José Lopes De Moraes
Edson da Silva Moura
Rodrigo da Silva Lucena
Cristhian Ribeiro Galvão
Lucas Vinicius de Amorim Da Silva
Luiz Carlos da Silva Júnior
Rubens Fernando Marcello
Outro indiciado responderá por porte ilegal de arma de fogo.
O assalto
No fim da tarde do dia 31 de julho, quatro criminosos armados com fuzis invadiram a unidade bancária e fizeram dois reféns para conseguirem fugir. O crime ocorreu por volta das 14h. As imagens mostram um dos assaltantes encapuzado, com fuzil em punho, dentro da agência.
O registro mostra o momento em que os reféns são levados sob ameaça.
Na fuga, levaram dois funcionários como reféns, libertados pouco depois às margens da rodovia MT-170, na zona rural de Brasnorte.
Os criminosos usaram uma caminhonete para a ação. O veículo havia sido roubado dias antes de um idoso de 81 anos, em crime que também envolveu outro carro, que foi encontrado queimado depois. Um outro veículo foi utilizado para apoio e fuga em direção a Rondônia.
Os valores levados ainda não foram divulgados.
Investigações e prisões
O cerco policial foi iniciado imediatamente, com a atuação conjunta da GCCO, Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), delegacias da Regional de Tangará da Serra, Diretoria de Inteligência, Ciopaer e apoio da Polícia Civil de Rondônia.
As investigações identificaram os veículos usados e a rota dos suspeitos. Em Vilhena (RO), seis integrantes foram presos em flagrante. As demais prisões ocorreram em Brasnorte nos dias seguintes.
Ao todo, três veículos foram apreendidos.
Segundo a Polícia Civil, o trabalho integrado possibilitou identificar e prender todos os envolvidos em menos de 48 horas após o crime.
Acusações de tortura
O cabeleireiro Fabrício da Silva Lima, um dos presos pelo assalto à agência do Sicredi em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, fez denúncias de tortura e ameaças contra policiais durante audiência de custódia. Ao lado do também suspeito Valdemar do Nascimento Alves, empresário local, Fabrício afirmou ter sido torturado por agentes do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil, durante a prisão dele.
“Chegaram com fuzil, meteram a arma, jogou todo mundo no chão. Aí já foi me algemando”, contou, durante o depoimento. Segundo o ele, os policiais teriam se apresentado como membros do GCCO. Fabrício afirma lembrar apenas do nome de um agente, supostamente chamado de “Steve”. Veja relato abaixo:
Procurada, a Polícia Civil confirma ter recebido do Poder Judiciário a comunicação das denúncias nessa segunda-feira (4) e que a Corregedoria-geral da instituição irá instaurar procedimento para investigar os fatos.
Durante o depoimento, o suspeito disse que foi pressionado a contar onde estava o dinheiro do assalto, assim como apontar outros supostos envolvidos.
“Um pegou e falou: ‘Ou você fala onde tá o dinheiro ou a gente vai partir pra sua família’. Eu falei: ‘Se quiser me matar, pode matar, mas com meu filho não’. Eu não sei o que tá acontecendo.”
Ele disse ter sido ameaçado de morte, caso não confessasse o crime. Veja:
Valdemar também disse ter sido pisoteado pelos policiais.
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