“Eu estava sem ar”, diz motoentregador imobilizado por servidor com mata-leão
O caso foi registrado na Polícia Civil como lesão corporal, ameaça, desacato e vias de fato
“Eu estava sem ar, quase apagando”. É assim que o motoentregador de 30 anos recorda o momento que esteve imobilizado por um servidor da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) nessa quinta-feira, 9 de junho, no Centro de Campo Grande. Ele só foi solto diante de pedidos desesperados de quem assistia a cena.

O entregador, que preferiu não se identificar, foi imobilizado com um mata-leão depois de discutir com dois agentes de trânsito, em frente a um shopping no Centro da cidade. Ele havia estacionado para buscar uma encomenda, como de costume, mas quando voltou, encontrou a equipe fotografando as motos que estavam paradas ali.
Assim começou a discussão. Em entrevista, o motoentregador explicou que como precisa pegar os pedidos dos clientes de forma agiu, tem autorização para estacionar em frente do shopping. Ele alegou que tentou explicar isso aos agentes e questionou se eles tinham tirado fotos da moto dele. A resposta foi não, mas logo os servidores avisaram que o veículo estava com documentos atrasados.
Os xingamentos e bate-boca continuaram e nervoso, o motociclista tomou o celular das mãos do agente. Foi então que tudo aconteceu. O entregador acabou imobilizado por um dos agentes. Toda a cena foi registrada por populares que passavam pela região.
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Nos vídeos que circulam as redes sociais é possível ver o agente com os braços envolta do pescoço do entregador, que ainda está de capacete. Ambos estão no chão, enquanto as pessoas gritam para que o servidor largar o rapaz. “Vai matar o cara, vai matar o cara”.
“É desesperador, se não fosse a população, a matéria aqui seria outra. Eu estava sem ar, quase apagando”, lembrou a vítima.
Quando fala dos momentos de terror que viveu, o entregador consegue definir o que sentiu com uma única palavra: indignação. “Eu estava certo. Tinha autorização para parar ali, não fiz nada de errado. Fico me perguntando se eu não fosse entregador, ou tivesse em um carro melhor, ou bem-vestido, ou não fosse negro, se isso teria acontecido comigo”.
Apesar de tudo que viveu, o entregador reconheceu que “perdeu a cabeça” ao xingar e tomar o celular das mãos do agente. Ainda assim, afirmou que continuaria defender seu direito. “Faria de uma maneira diferente, mas não deixaria de me impor. Fiz tudo que foi necessário para me defender”.
Depois da agressão, o motoentregador foi a polícia e lá encontrou os dois agentes. O caso então foi registrado na delegacia como lesão corporal, ameaça, desacato e vias de fato. Mas hoje, a vítima afirma que não vai parar por ai. “Pensei muito e decidi processar eles. Vou até as últimas consequências”.
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