Facção cobrava 'taxa de proteção' de até R$ 500 por mês de comerciantes de Poconé

As investigações conduzidas pela Delegacia de Poconé apontam que integrantes da facção abordavam empresários pessoalmente nos estabelecimentos ou por mensagens de WhatsApp para impor a cobrança.

A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta terça-feira (20), 14 ordens judiciais para desarticular uma organização criminosa acusada de extorquir comerciantes em Poconé. O grupo exigia pagamentos mensais sob ameaça de roubos, depredações e agressões, prática conhecida como “taxa de proteção”.

A Operação Silentium Vocis cumpriu sete mandados de busca e apreensão e sete quebras de sigilo, todos expedidos pela Vara Única do município. A ação integra o planejamento estratégico da corporação dentro da Operação Inter Partes e do programa estadual Tolerância Zero Contra as Facções Criminosas.

Design sem nome 2026 01 20T105713.594
Facção ameaçava incendiar lojas para cobrar propina. – Foto: PJCMT.

Cobrança por WhatsApp e visitas presenciais

As investigações conduzidas pela Delegacia de Poconé apontam que integrantes da facção abordavam empresários pessoalmente nos estabelecimentos ou por mensagens de WhatsApp para impor a cobrança. Os valores variavam entre R$ 100 e R$ 500 por mês, definidos conforme o porte do negócio e o volume de vendas.

Quem se recusava a pagar era ameaçado com furtos, roubos, incêndios e agressões físicas. Segundo a polícia, o método criou um ambiente de medo que impedia muitas vítimas de procurar as autoridades.

Leia também – Poconé registrou o 2º maior tremor de terra em 2025

Aumento de crimes reforçou suspeitas

Ao longo de 2025, o município registrou crescimento expressivo nos crimes patrimoniais, cenário que, de acordo com a investigação, está relacionado à atuação sistemática do grupo. Os policiais conseguiram individualizar a participação de cada suspeito, identificando divisão de tarefas e vínculo associativo, elementos que fundamentaram os pedidos de medidas judiciais.

Para o delegado de Poconé, Matheus Prates de Oliveira, a operação representa um passo decisivo para restabelecer a segurança dos empreendedores locais. “O trabalho reforça a proteção da coletividade e o enfrentamento às facções que atentam contra a ordem pública e a tranquilidade social na cidade”, afirmou.

Design sem nome 2026 01 20T105757.314
Os valores variavam entre R$ 100 e R$ 500 por mês, definidos conforme o porte do negócio e o volume de vendas.. – Foto: PJCMT.

Silêncio imposto pelo medo

O nome Silentium Vocis, que significa “silêncio da voz”, faz referência à dificuldade das vítimas em denunciar. Muitos comerciantes, temendo represálias, deixavam de registrar boletins de ocorrência, o que permitiu a continuidade das extorsões.

Leia mais

  1. Veja quem são os dois presos e alvos da operação na Procuradoria de Cuiabá

  2. Facção que movimentou R$ 10 milhões em tráfico de drogas é alvo de operação em MT

  3. Operação mira em faccionados que torturaram e estrangularam adolescente em Araputanga

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Segurança!

  1. Vanessa Ricarte

    Um ano após feminicídio, família e amigos cobram julgamento de caso Vanessa Ricarte

    Familiares, amigos e colegas de trabalho da jornalista Vanessa Ricarte realizam, na...

  2. Homem é morto a tiros enquanto dormia com a esposa em Mirassol D'Oeste

    Homem é morto a tiros enquanto dormia com a esposa em Mirassol D'Oeste

    Cleomar Teixeira da Rocha, de 33 anos, foi morto enquanto dormia com...

  3. Mulher é morta a facadas após voltar a morar com companheiro em Lucas do Rio Verde

    Jaqueline de Araujo dos Santos, de 40 anos, foi morta com golpes...

  4. Adolescente morto em Peixoto afirmou a amigo que aquele era seu último dia de vida

    Adolescente morto em Peixoto afirmou a amigo que aquele era seu último dia de vida

    Lucas Gabriel Lazarin, de 15 anos, foi identificada como a vítima morta...

  5. Fraudes no Farmácia Popular levam à operação para apurar desvio de R$ 30 milhões

    A Receita Federal, a Polícia Federal e a CGU (Controladoria-Geral da União)...