Facções que extorquiam comerciantes em MT são alvo de 4 operações em dois meses

Da intimidação à justiça: a luta para frear o crime organizado e garantir segurança aos comerciantes de Mato Grosso

Apenas nos meses de fevereiro e março, foram deflagradas quatro operações para desarticular facções criminosas que ameaçavam empresários e impunham o pagamento de taxas ilegais.

As operações tiveram como alvo grupos que movimentavam milhões de reais, utilizando a extorsão como meio de financiamento de atividades criminosas. Entre as ações estão: “A César o que é de César”, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá; “Unfollow”, em Sorriso, a 420 km da capital; “Acqua Ilícita”, em Cuiabá, Várzea Grande, Nobres e Sinop; e a mais recente, “Falso Profeta”, em Cuiabá.

operacao falso profeta
Operação Falso Profeta foi deflagrada contra esquema liderado por pastor ligado à facção criminosa que extorquia comerciantes em Cuiabá e Várzea Grande. (Foto: PJC)

Todas as operações tiveram como alvo suspeitos de integrar facções criminosas e de angariar recursos para esses grupos, movimentando milhões de reais nos respectivos municípios.

“A César o que é de César”

A facção criminosa investigada na operação “A César o que é de César” exigia que lojistas do camelódromo de Várzea Grande pagassem 5% do faturamento mensal como uma “taxa de segurança”, sob ameaças de incendiarem os estabelecimentos e atacarem familiares. Caso fossem intimados pela Polícia Civil, os comerciantes eram forçados a negar os crimes e eram acompanhados por advogados da organização, mesmo sem terem solicitado assistência jurídica.

Leia mais: ‘Thomas Shelby’ é preso por extorquir e ameaçar comerciantes em Várzea Grande

A investigação revelou que o grupo impunha a presença das advogadas nos depoimentos como forma de controle e intimidação, garantindo que nenhuma vítima denunciasse a facção. Além do crime de extorsão, a GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado) também apura o crime de embaraço à investigação, já que essa prática dificultava a obtenção de provas e limitava a atuação das autoridades policiais.

“Unfollow”

Jefferson Ryan foi preso durante a Operação Unfollow, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso. O objetivo da operação era desarticular um esquema que forçava comerciantes a pagarem taxas periódicas para evitar represálias, um modelo de extorsão típico de organizações criminosas.

Outro post revelava a influência do grupo na cidade, com a legenda: “Os quatro cantos da cidade é nós que tá”, acompanhada de um alerta para que participantes de festas mantivessem a ordem no evento, evidenciando o controle territorial imposto pela facção.

“Acqua Ilícita”

Gilmarzinho, um dos mortos em um confronto com a Força Tática da Polícia Militar na quinta-feira (20), durante a Operação Acqua Ilícita, era, de acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), um dos criminosos da facção Comando Vermelho.

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Ele atuava em crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa, prejudicando comerciantes de água mineral e aumentando os preços para os consumidores, com o objetivo de enriquecer ilicitamente.

“Falso Profeta”

Alvo da Operação Falso Profeta, o pastor Ulisses Batista, conhecido como “Veio Ulisses”, líder religioso de uma igreja no Bairro Pedra 90, em Cuiabá, é apontado como o líder de um esquema que obrigava proprietários de distribuidoras de água a comprarem produtos da facção e a pagarem uma taxa de R$ 1 por cada galão vendido.

Leia mais: Pastor usava facção para extorquir comerciantes de MT e enviava lucros para o RJ, diz polícia

O pastor está foragido no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, iniciadas em novembro de 2023, ele é apontado como o idealizador, mentor e criador do Projeto Água 20LT, gerido pelo Comando Vermelho em Mato Grosso.

Modus Operandi

O modus operandi desses grupos criminosos envolve chantagem financeira a comerciantes legalizados, que se sentem intimidados pelas ameaças dos criminosos e, em alguns casos, sofrem sanções graves, como a perda de seus produtos.

As ações revelaram esquemas de chantagem, controle territorial e lavagem de dinheiro, com vítimas sendo coagidas a pagar “taxas de segurança”.

A investigação da Polícia Civil revelou que o incêndio na loja Multi Shop Presentes, em Parantinga, a 411 km de Cuiabá, foi uma represália ao dono do estabelecimento, que se recusou a ceder à extorsão dos criminosos.

Disque Extorsão

O Governo de Mato Grosso criou um serviço voltado especificamente para denúncias de extorsão praticadas por facções. O serviço garante sigilo absoluto e permite que as denúncias sejam feitas anonimamente.

Sem a necessidade de identificação ou fornecimento de dados do aparelho do denunciante, os cidadãos poderão registrar denúncias por meio do E-Denúncias, disponível no site da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), em uma aba específica para crimes relacionados a facções.

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