Falha na montagem é uma das hipóteses para desabamento que matou trabalhadores em Campo Grande
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA) fez levantamento para verificar a regularidade da obra
Um dia após o acidente que matou dois trabalhadores durante a construção de um supermercado na Avenida Rachel de Queiroz, em Campo Grande, o cenário ainda é de destruição. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA) fez um levantamento para verificar a regularidade da obra e aponta como provável causa uma falha na montagem da estrutura.

Neste sábado (5), o engenheiro civil e conselheiro do CREA, Sidiclei Formagini, especialista na área de estruturas e concreto, esteve no local para um levantamento da situação. Segundo ele, o processo de pré-fabricação tem etapas críticas: as peças são feitas em fábricas, transportadas até o local da obra e lá montadas. É justamente na montagem o maior risco.
“Na etapa de montagem, você vai posicionando as peças, tem que fazer uma questão de travamento. E aí pode ter ocorrido uma falha; são hipóteses que a gente levanta, de ter perdido a estabilidade de uma peça e como a estrutura inteira estava amarrada, esse colapso parcial foi puxando o restante da estrutura. Então, isso nós chamamos de colapso progressivo […] Eu atribuo a duas causas. Pode ser uma falha de projeto, pode ser uma falha executiva, processo de montagem. E aí a perícia vai fazer uma avaliação, avaliar o projeto, avaliar a forma de ruptura aqui e, a partir desse momento, a gente vai ter uma ideia da provável causa.”
Sidiclei Formagini
De acordo com Formagini, as informações colhidas durante a fiscalização no local passarão por uma análise interna e, depois, serão submetidas à Câmara de Engenharia Civil, que, nos próximos dias, deve se posicionar sobre o ocorrido.
Além disso, a perícia da Polícia Civil deve voltar ao galpão para dar continuidade aos trabalhos. A análise deve ajudar a identificar as causas do desabamento e possíveis responsáveis.
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O acidente
Segundo o boletim de ocorrência, houve um colapso estrutural da obra, que estava em fase de edificação. Dois trabalhadores que realizavam a montagem estavam no ponto mais alto da estrutura, cerca de 14 metros do chão. Os homens de 39 e 41 anos não resistiram à queda.
Outros dois funcionários da empresa responsável pela montagem foram socorridos com vida e seguem internados na Santa Casa de Campo Grande.
Ainda conforme o registro policial, outros dois trabalhadores, que dirigiam os caminhões da empresa, estavam no local e não tiveram ferimentos. Os veículos, no entanto, foram atingidos e ficaram destruídos.

O caso é investigado como morte por decorrência de fato atípico.
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