Fiscalização identifica 50 embarcações utilizadas para garimpo ilegal no rio Teles Pires
Além das embarcações, as equipes apreenderam milhares de litros de combustível armazenados de forma irregular.
Uma operação realizada para desarticular o garimpo ilegal resultou na destruição de 23 balsas, 15 embarcações e diversos barracos usados por garimpeiros entre os dias 11 e 14 de junho, na Terra Indígena Kayabi, no município de Apiacás (1.005 km de Cuiabá), no norte de Mato Grosso.
A ação foi coordenada por agentes do Ibama, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), com foco na repressão à extração ilegal de minérios no rio Teles Pires.

Segundo o chefe de fiscalização do Ibama em Mato Grosso, Edilson Fagundes, cerca de 50 embarcações foram identificadas na região, mas apenas 23 puderam ser inutilizadas no local. Muitas das balsas – chamadas dragas escariantes, equipadas com bombas de sucção – foram parcialmente afundadas pelos garimpeiros para evitar que fossem destruídas.
Além das embarcações, as equipes apreenderam milhares de litros de combustível armazenados de forma irregular. Essas dragas provocam impactos ambientais severos, como o assoreamento dos rios, destruição do habitat aquático e prejuízos à reprodução de peixes, conforme explica a pesquisadora Daniela Maimoni, da UFMT.
A superintendente do Ibama no estado, Cibele Madalena Xavier Ribeiro, afirmou que esta foi a segunda operação na Terra Kayabi somente em 2025, e que parte dos garimpeiros já foi identificada e será encaminhada à Polícia Federal, com possibilidade de responsabilização criminal.
Mais de 50 embarcações ilegais já foram destruídas em operações anteriores na mesma região. Agora, o desafio das autoridades é localizar os financiadores da atividade criminosa. Para a líder indígena Eliane Xunakalo, presidente da Fepoimt (Federação dos Povos Indígenas de MT), o garimpo traz impactos irreparáveis:
“Ele destrói o rio, a floresta, o solo e a vida das comunidades indígenas. Está acabando com nossa fonte de alimentação, nossa água e até nossa cosmologia. É urgente que esses criminosos não apenas sejam retirados, mas que não retornem aos nossos territórios.”
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