Garimpo ilegal tem confronto entre policiais e garimpeiros pelo segundo dia consecutivo
Operação registra tiroteios por dois dias seguidos entre forças de segurança e garimpeiros ilegais
Pelo segundo dia consecutivo, policiais federais entraram em confronto com garimpeiros ilegais na Terra Indígena Sararé, localizada entre os municípios de Pontes e Lacerda. Na região, criminosos armados dispararam contra as equipes de fiscalização, que reagiram. Nenhum policial ficou ferido, e dois garimpeiros foram baleados, e estão fora de perigo.
O território, habitado tradicionalmente pelo povo indígena Nambikwara, vem sendo alvo de facções criminosas nos últimos dois anos, com intensa exploração de ouro de forma ilegal. Para conter essa atividade, o objetivo da operação é retirar os garimpeiros da Terra Indígena Sararé e impedir a retomada do crime. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Ibama, a ação integrada não tem prazo para terminar.

Estruturas de apoio e confronto
O Ibama também atuou em propriedades rurais próximas à Terra Indígena que serviam de apoio logístico ao garimpo. Nessas áreas, os fiscais destruíram depósitos clandestinos de combustível e oficinas usadas para consertar máquinas pesadas. Em uma das fazendas vistoriadas, foram encontrados e apreendidos quase 13 quilos de mercúrio, metal altamente tóxico utilizado para separar o ouro e que pode contaminar rios e o solo.
Entre os dias 28 e 30 de setembro, a Polícia Federal (PF) registrou confrontos com garimpeiros ilegais durante a operação. De acordo com a corporação, os criminosos atiraram com fuzis contra as equipes, que reagiram para conter a agressão.
Segundo a equipe, durante os confrontos, nenhum policial ficou ferido. Dois garimpeiros, um homem e uma mulher, foram baleados em dias diferentes e estão fora de perigo.

Durante a ação, foram destruídos motores, geradores de energia, túneis subterrâneos e acampamentos usados na exploração ilegal de ouro. As equipes também apreenderam armas de fogo, munições, explosivos, mercúrio e minério de ouro.
Garimpo avança e ameaça meio ambiente e cultura indígena
Neste ano, a Terra Indígena Sararé, se tornou a área com mais alertas de garimpo ilegal no Brasil, somando 1.814 registros. O aumento está ligado à migração de garimpeiros que deixaram outras áreas após a intensificação das ações do Governo Federal, além da facilidade de acesso ao território, que favoreceu a expansão da atividade criminosa.
O resultado é devastador, dos 67 mil hectares do território, mais de 3 mil já foram atingidos pelo garimpo, incluindo a destruição de 743 hectares de floresta nativa. Além do desmatamento, rios e igarapés estão contaminados por mercúrio e óleo, o que ameaça a saúde e o modo de vida do povo Nambikwara.

O Ibama garante que continuará atuando em conjunto com outras forças de segurança, por tempo indeterminado, para conter a destruição e proteger a Terra Indígena Sararé.
Forças de segurança unidas contra o garimpo ilegal
A Operação Xapiri-Sararé, é coordenada pelo Ibama, e reúne uma série de instituições, entre eles o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF), Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), além do apoio da Polícia Civil de Goiás (CORE/GT3).
Veja vídeos da ação abaixo:
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