Golpes de foice abreviaram vida de Juliana no 3° feminicídio de MS em 2025

Quem foi Juliana Domingues, 3ª vítima de feminicídio este ano em MS

A noite caía na aldeia Tekoha Nhu Porã quando uma cena brutal teve início. Naquele 18 de fevereiro, Juliana Domingues, 28 anos, teria um ponto final colocado prematuramente em sua vida, pelas mãos de quem deveria protegê-la: o companheiro.

feminicidio
Local onde corpo da vítima foi encontrado. (Foto: Osvaldo Duarte)

Antes de rememorar o 3° feminicídio de Mato Grosso do Sul em 2025, é necessário dizer que quanto mais distante o crime ocorre da área urbana, mais difícil dar rosto a ele. Neste caso, a imagem de Juliana se resume ao fatídico dia em que ela foi brutalmente assassinada por Wilson Garcia.

A reportagem conseguiu contato com dois familiares da vítima, mas ambos não tinham fotografia dela em vida. Aliás, a entrevista com o tio, Valdmir Cáceres, líder da comunidade indígena localizada na região da grande Dourados, foi feita de maneira rápida, devido ao escasso sinal de telefonia.

Voltando àquela noite, segundo denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a qual o Primeira Página teve acesso, a briga entre o casal se estendia há horas, mas teve estopim quando os dois filhos, de 7 e 11 anos, se desentenderam.

Os ânimos à flor da pele se converteram em ameaças entre os adultos e, em minutos, se transformaram em luta corporal. Juliana pegou uma faca para se defender, mas foi insuficiente diante da fúria do marido. Com uma foice, ele a acertou com diversos golpes na cabeça, sendo a maioria no rosto.

Nenhuma outra parte do corpo foi atingida. A intenção, ao que tudo indica, era que os ferimentos fossem fatais. Tanto que, mesmo após a mulher cair no chão, Wilson seguiu com os golpes.

Infelizmente, como em incontáveis outros casos, o papel de testemunha ocular restou ao filho caçula. Foi o menino quem relatou à tia, na língua nativa, o guarani, o que havia ocorrido. Coube a ela correlatar à polícia a história em português.

O feminicida fugiu de bicicleta e dias depois foi preso em Caarapó. Está em cárcere desde então. Passou por audiência de custódia à época e a Justiça entendeu por bem o deixar privado de liberdade até que seja julgado. O MPMS pede que o réu vá a júri popular.

A vítima

Juliana, mãe de três meninos, todos menores, gostava de frequentar a igreja. Segundo o tio, era cuidadosa com todos à sua volta. Por um tempo, conseguiu levar o marido para o caminho da religião, o que teria o afastado do álcool e outras drogas, sempre usados como gatilho para as agrassões recorrentes à esposa.

Mas o sossego durou pouco mais de um ano, dos oito de relacionamento entre os dois. “Depois ele voltou a andar com outras pessoas que não eram boas”, explicou Valdemir.

“Ela continuou indo pra igreja, ele não. Eu cheguei a chamar [Wilson] aqui pra conselhar. Falei mais de uma vez, conversei bastante, mas não adiantou”.

Ainda segundo o tio, Juliana já havia perdido os pais. Dedicava a via aos cuidados com os filhos, além de alguns familiares. Hoje as crianças estão com uma tia que mora em Caarapó. De tudo, o que fica são as memórias boas e a espera por justiça.

“A gente não quer mais ele aqui, mesmo quando for solto. Já avisamos para ir para longe”.

Caminho para denúncia

🚨 Denuncie a violência contra a mulher

Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:

Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;

Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;

Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;

Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line.

Clique aqui e faça a denúncia.

⚠️ Violência contra a mulher não pode ser ignorada. Basta! Denuncie.

Campanha BASTA
Logo da Campanha Basta, do Primeira Página. (Foto: Divulgação)

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