“Gritamos bastante”, diz homem que filmou motoentregador imobilizado com mata-leão

Motoentregador foi imobilizado por um agente de trânsito na tarde de quinta-feira (9), no centro de Campo Grande

Um dos homens que filmou a imobilização de um motoentregador com um golpe conhecido como mata-leão na tarde de quinta-feira (9), no centro de Campo Grande disse que várias pessoas gritaram para o agente de trânsito parar de apertar o pescoço do trabalhador. O caso foi parar na delegacia.

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O homem, que pediu para não ter a identidade revelada, disse à reportagem que tinha acabado de sair de uma loja na Rua Marechal Rondon quando ouviu várias pessoas gritando, pedindo ajuda.

Ele disse ter visto dois agentes de trânsito, sendo que um deles estava “enforcando um rapaz”. Ele atravessou a rua correndo e passou a integrar o coro de pessoas que gritavam para que o servidor parasse.

“A gente tentou intervir, gritou bastante, começamos a filmar. Só depois de muita insistência nossa que o agente de trânsito soltou ele”, lembra.

O homem disse que os agentes ficaram incomodados com o fato de a ação ter sido gravada. “Não sei o que aconteceu no início. Cheguei depois, mas nada justifica uma agressão desse tamanho”, disse. “Acho que agente de trânsito não tem essa função de enforcar, de fazer a pessoa correr risco de vida”, completou.

O caso

Um motoentregador de 30 anos viveu momentos de desespero nesta quinta-feira (9) no Centro de Campo Grande. Ele foi imobilizado com um golpe de mata-leão por parte de um servidor da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Parte da ação foi filmada por pessoas que passavam pelo local.

À reportagem, o entregador contou que estacionou sua motocicleta em frente a um shopping da região central para pegar um pedido. Quando saiu, percebeu que agentes de trânsito estavam fotografando diversas motocicletas.

Ele questionou o agente sobre as fotos, mas disse não ter recebido resposta. A reação, segundo contou, foi tomar o celular da mão do agente de trânsito. A partir daí, o agente o jogou no chão. Ele disse que, com o golpe recebido, chegou a ficar “sem ar”, por um tempo que não soube precisar.

Investigação

Os agentes de trânsito procuraram a polícia e registraram um boletim de ocorrência por desacato. O motoentregador também procurou a polícia que registrou o caso como lesão corporal.

O motoentregador também foi até a Agetran para registrar formalmente uma reclamação na ouvidoria do órgão de trânsito. A Agetran vai abrir um procedimento administrativo para investigar a atuação dos agentes de trânsito.

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