Guia espiritual suspeito de estuprar adolescente vai continuar preso
O homem de 63 anos atua há mais de 40 anos como guia espiritual; segundo a vítima, o crime ocorreu durante uma sessão
O guia espiritual de 63 anos suspeito de estuprar uma adolescente de 15 em um centro de umbanda na Vila Almeida, em Campo Grande, continuará preso. A prisão preventiva do sujeito foi decretada nesta quarta-feira, 23 de novembro.

A Polícia Militar foi acionada até o local, e a mãe da vítima, uma empregada doméstica de 41 anos contou que o estupro foi durante uma sessão espírita ocorrida dentro de uma sala reservada do suspeito.
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Após o crime, a filha teria saído assustada. Em seguida, contou para a mãe. A mulher afirma ter confrontado o homem. O mesmo alegou não se lembrar de nada, pois estava “incorporado pela entidade Ogum Beira Mar”.
O suspeito é pintor de construção e atua como líder espiritual no centro de Umbanda há mais de 40 anos.
No interrogatório, o sujeito confirmou que estava atuando como Pai de Santo e a incorporação.
Ele ainda informou que a vítima reclamou de dores nos ombros e nas pernas, e que a sessão consiste na “transferência de energia da pessoa para ele”. Detalhou ainda que “tocar partes do corpo é comum no processo”, mas que não se lembra de ter estuprado a adolescente.
O que diz a religião
Apesar da versão que o suspeito apresentou à polícia, quem exerce de verdade a fé nos orixás afirma categoricamente que não existe nenhum tipo de contato sexual nos rituais de purificação energética.
O Primeira Página conversou com três sacerdotes ligados a umbanda e ao candomblé. Todos reforçaram a mesma coisa, que aproximação física pode até acontecer durante os ritos de limpeza espiritual, mas ficam restritos à cabeça, ombro, costas, barriga, mas nunca contato sexual ou forçado.
“Não existe no candomblé, na umbanda e nem tampouco em qualquer segmento de matriz africana prática litúrgica que envolva contato íntimo entre adeptos. Como toda e qualquer religião, as de matriz africana são voltadas ao bem estar espiritual das pessoas”, ressaltou o babalorixá campo-grandense, Lucas de Odé, que hoje é dirigente do Ilê Iyeiyeo Axé Odé Inlé em São Paulo.
Para os líderes religiosos, o homem preso é apenas mais um que usa da fé dos outros para cometer crimes. O problema, ainda de acordo com eles, é o desgaste na imagem as religiões de matriz africana, que ainda hoje sofrem preconceito por grande parte da população.
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