"Igual um enxame de abelhas", diz vítima de agressões em ato antidemocrático em MT

Na manhã desta quarta-feira (6), a Polícia Federal realizou uma operação e cumpriu 10 mandados contra os envolvidos em bloqueios de rodovias em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

Um homem, vítima das agressões de manifestantes em um ato antidemocrático, que bloqueou a BR-174, em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, em novembro de 2022, diz que se sentiu em um ataque de abelhas.

Na manhã desta quarta-feira (6), a Polícia Federal realizou uma operação e cumpriu mandados de busca e apreensão contra os envolvidos em bloqueios de rodovias em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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Vilson da Silva Pereira, produtor rural morador de Pontes e Lacerda relata agressões que sofreu nos bloqueios. (Foto: Arquivo pessoal)

Há cerca de 10 meses depois do caso, Vilson da Silva Ribeiro, de 54 anos, conversou com o Primeira Página e contou como foram os momentos de terror que sofreu no local.

O produtor rural mora em uma chácara no assentamento Barra do Marco, que fica próximo à região onde foram criados os bloqueios. Ele conta que vive da agricultura familiar e todos os dias precisa ir e voltar, de casa para a cidade, para realizar entregas.

No dia 18 de novembro de 2022, Vilson foi trabalhar às 5h, como de costume, e ao retornar recebeu uma ligação da esposa, que estava passando mal.

“Eu cheguei lá no bloqueio e estava tudo trancado. Aí parei normalmente, não provoquei ninguém, pedi pra dar licença. Eu era o primeiro carro que tinha chegado, na hora que eles colocaram os materiais no meio da estrada e tinha vários montes de terra que as caçambas descarregaram. Implorei, pedi com educação e eles falando que não ia passar de jeito nenhum e eu teria que esperar”, relata.

Imagens mostram situação da BR-174, com bloqueio de manifestantes em novembro de 2022.
(Vídeo: Reprodução)

Porém, no momento seguinte, o produtor teria perdido a paciência após receber uma ligação da esposa.

“Minha esposa doente, eu com a pressão alta porque sai sem tomar remédio. Continuei insistindo pra passar e eles não deixaram. Então, vi uma brecha no bloqueio e toquei o carro em cima dos paletes, não acertei ninguém. No que passei, tinha um monte de terra em cima do asfalto e um homem sentado numa cadeira que arremessou a cadeira no meu carro”, conta.

Segundo Vilson, no momento seguinte, ele desceu do carro. Foi quando o tumulto começou.

“O homem saiu gritando que eu estava armado e ai o povo veio igual um enxame de abelhas em cima de mim. Foram mais de 40 pessoas, me deram muita porrada, muito murro. A sorte é que tinha um amigo meu de infância, não sei se ele estava no protesto, só sei que ele apareceu do nada gritando para pararem”, ressaltou.

Após conseguir fugir das agressões com a ajuda do amigo, o produtor rural foi para casa com a camiseta rasgada e vários hematomas pelo corpo.

Atos antidemocráticos realizados em novembro de 2022, em Pontes e Lacerda. (Vídeo: Cedido)

“Cheguei com a camisa toda rasgada, as costas roxas, meteram a unha, alguma coisa, nas minhas costas e cortaram. Conversei com minha esposa, que já tinha sido medicada pelo meu filho, tomei meu remédio e fui para delegacia da Policia Civil fazer a denúncia e o exame de corpo delito”, disse.

Vilson Ribeiro disse ainda que depois do ocorrido já foi intimado a depor em Cáceres duas vezes, onde ele também foi para tentar reconhecer as pessoas que o agrediram. A partir da denúncia, iniciaram as investigações.

“Eu não era contra o protesto mas era contra bloquear estrada, isso não estava certo”, concluiu.

Operação Parada Obrigatória

A Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em bloqueios de rodovias, em atos antidemocráticos, por meio da Operação Parada Obrigatória, deflagrada nesta quarta-feira (6). Os alvos são das cidades de Pontes e Lacerda (MT) e Campo Grande (MS).

Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal Criminal de Mato Grosso. A ação tem o objetivo de aprofundar as investigações e a coleta de provas referentes aos financiadores de movimentos que bloquearam rodovias federais após as eleições presidenciais de 2022.

Em um dos casos, os manifestantes fizeram atos antidemocráticos, ocorridos após as eleições, com o bloqueio da rodovia BR-174, em Pontes e Lacerda. Conforme apurado pela PF, eles teriam agredido e ameaçado motoristas que tentavam furar os pontos de bloqueio, além da reiterada desobediência a policiais que buscavam liberar o trânsito.

Durante as buscas, uma pessoa foi presa em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Os materiais apreendidos serão submetidos à análise e perícia, para prosseguimento das investigações com o objetivo de identificar e apontar elementos de responsabilização de todos os envolvidos nas ações criminosas. As investigações continuam pela PF.

Crimes

Os líderes, financiadores e demais participantes desse movimento podem responder por crimes previstos no código penal, dentre eles: constrangimento ilegal (art. 146), lesão corporal (art. 129), incitação ao crime (art. 286), associação criminosa (art. 288), abolição violenta do estado democrático (art. 359-l), dentre outros. Essas penas, somadas, passam de 13 (treze) anos de prisão.

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