'Já entraram com arma na mão': família diz que PMs não tiveram preparo para conter surto

A mãe foi quem acionou a PM e pediu para que fosse levado à delegacia, pois ele estava agressivo. O jovem foi morto com cerca de seis tiros.

Pâmera Souza, irmã de Pablo Ferreira de Carvalho da Silva, de 25 anos, morto a tiros pela Polícia Militar durante um surto psicótico em Cuiabá no domingo (12), contou à TV Centro América que “a polícia não teve preparo” para conter o jovem. Segundo a família, ele era jogador de vôlei de praia e sonhava em seguir uma carreira no profissional.

Jogador de vôlei, Pablo teve os sonhos interrompidos pelas drogas, segundo a família. (Foto: Redes sociais)
Jogador de vôlei, Pablo teve os sonhos interrompidos pelas drogas, segundo a família. (Foto: Redes sociais)

Há dois anos, ele se perdeu nas drogas e a família buscou tratamento médico. Ele chegou a ser internado no Adauto Botelho, mas fugiu duas vezes do local. Segundo a irmã Souza, a família procurou clínicas psiquiátricas para que ele tivesse um acompanhamento profissional, mas todas rejeitaram ele e, desde então, ficou sem tratamento.

“A polícia não teve preparo. Porque ele se assustou e eles também não sabiam o que fazer. Eles já entraram com arma na mão, porque minha mãe avisou de que ele estava agressivo e que ele andava escondendo faca. Ela avisou os policiais de que ele poderia ser agressivo, sendo que ele estava em surto. Não é com arma que vai conter ele. E ele se assustou e saiu correndo. Num quarto pequeno, quatro policiais não conseguiram conter ele, porque se esquivou e saiu. Ele pegou uma picareta e se escondeu atrás da porta, quando abriu a porta, os policiais dispararam”, afirmou.

Segundo a irmã, a morte do irmão foi um choque para a família. “Estamos sem dormir desde ontem, sem saber o que fazer”, disse.

O Ministério Público de Mato Grosso abriu investigação, nesta terça-feira (14), para verificar a conduta dos militares. “Os casos em que a morte ocorre em ação policial, os promotores de Justiça participam das investigações para apurar se houve ou não excessos”, disse, em nota.

Pablo foi morto com, pelo menos, seis tiros. A Polícia Militar diz que o jovem tentou atacar a equipe com uma picareta e que, por isso, tiveram que atirar. Ele teria sido atingido por um tiro na perna, mas, ao continuar seguindo na direção dos agentes, recebeu outros cinco disparos à queima-roupa.

“O suspeito abriu a porta e saiu empunhando a picareta acima da altura da cabeça, em posição de golpe, e seguiu em direção ao PM que estava mais próximo a porta, no intuito de desferir um golpe contra o mesmo. Foi quando de imediato o mesmo efetuou disparos e o suspeito continuou caminhando em sua direção, foi onde se viu diante da necessidade da realização de mais um disparo, pois ficou encurralado entre a parede e uma caixa d’água, foi quando de fato o suspeito veio a cair ao solo”, explica.

A família afirmou que o jovem não estava sob efeito de drogas no momento em que foi morto.

Tentativa de tratamento

A família de Pablo disse que ele desencadeou episódios de surtos psicóticos e ficou agressivo logo após começar a usar entorpecentes, e não tinha acompanhamento psicológico. O jovem foi internado duas vezes no ano passado para tratar o problema com as drogas, mas, durante as crises, fugiu da clínica.

A irmã contou ainda que a família procurou ajuda em vários lugares, mas recebiam respostas de que o tratamento só se iniciaria, de fato, se o jovem aceitasse.

Procuraram o CRAS nos dois últimos anos e levamos ele para o Adauto Botelho. Ele chegou a ser internado, mas depois fugiu. Era jogador de vôlei de praia e sonhava em seguir uma carreira no profissional, segundo a família.

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