Juiz acusado de vender sentenças teria recebido R$ 6 milhões em propina, aponta PF
Valor equivale a quase 4% da receita anual de cidade onde magistrado atuava
O juiz de Vila Rica, Ivan Lúcio Amarante, afastado do cargo desde maio de 2024, é investigado por suspeita de receber R$ 6 milhões em propina em troca da venda de sentenças judiciais. O valor, segundo a Polícia Federal, equivale a 3,8% da receita bruta do município, que somou R$ 154,5 milhões até o ano passado, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As investigações fazem parte da Operação Sisamnes, deflagrada após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em 2023 em Cuiabá. Mensagens encontradas no celular da vítima revelaram indícios de crimes no Judiciário, incluindo venda de decisões e movimentações financeiras suspeitas.

Depósitos da esposa e defesa
Durante o inquérito, a PF identificou 43 depósitos, que totalizam R$ 750 mil, feitos pela esposa do magistrado, Mara Patrícia Nunes Amarante, entre setembro de 2023 e julho de 2024. A defesa de Ivan Lúcio alegou que os valores foram destinados ao “desenvolvimento espiritual e religioso” do juiz com um pai de santo.
Em nota, os advogados do magistrado disseram que “trabalham para provar a inocência do cliente” e criticaram a divulgação de informações de um processo que está sob sigilo.
Ligação com lobista investigado
A PF também apontou que parte dos repasses teria sido feita por uma empresa ligada ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que já é alvo de investigação por suposta atuação irregular em gabinetes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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Segundo os investigadores, juiz e lobista atuavam em conjunto, com divisão de tarefas para venda de decisões e lavagem de dinheiro por meio de pessoas próximas e empresas de fachada. Ambos foram indiciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Próximos passos
O relatório final da Polícia Federal foi encaminhado ao ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele deve enviar o material à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se arquiva o caso, pede novas diligências ou oferece denúncia contra os investigados.
Até a última atualização, a defesa do lobista não havia se manifestado.
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