Justiça determina afastamento de juiz em Vila Rica por suspeita de venda de sentença

São cumpridos três mandados de busca e apreensão contra o juiz Ivan Lúcio Amarante

A Justiça determinou o afastamento das funções públicas do juiz Ivan Lúcio Amarante, titular da 2ª Vara de Vila Rica, durante a 8ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal. O magistrado é investigado por envolvimento em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no Judiciário de Mato Grosso.

Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no estado, além do bloqueio de bens e valores de até R$ 30 milhões e a proibição de saída do país para o juiz investigado.

Quadrilha utilizava caminhões frigoríficos para esconder drogas entre cargas de carne e enviá-las a outros estados. Imagem ilustrativa. (Foto: PF)
Os mandados são cumpridos contra um magistrado de Mato Grosso. (Foto: PF)

A operação faz parte das investigações que foram desencadeadas a partir da morte do advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023, e que revelou envolvimento de magistrados na vendas de decisões judiciais.

Nesta fase, os policiais federais objetivam aprofundar as investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro, montado para dissimular pagamentos milionários de “propinas” em troca de decisões judiciais assinadas pelo juiz.

Outros magistrados

Em agosto do ano passado, a Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho também por suspeita do envolvimento deles em vendas de sentenças.

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Desembargadores passaram a usar tornozeleiras eletrônicas. (Foto: Reprodução)

Em um dos casos investigados, a Corregedoria descobriu que os dois mantinham uma amizade com Roberto Zampieri, assassinado a tiros, e recebiam vantagens financeiras para julgarem recursos de acordo com os interesses do advogado.

Ainda de acordo com a CNJ, além da ‘incomum proximidade entre os magistrados com Roberto Zampieri’, as investigações apontam um esquema organizado de venda de decisões judiciais para outros advogados, não somente favoráveis ao Zampieri.

Morte Zampieri

O advogado Roberto Zampieri foi morto com 11 tiros dentro do próprio carro em frente ao escritório, em Cuiabá. Uma câmera de segurança registrou o momento do crime.

Ele foi surpreendido por um homem de boné, que disparou pelo vidro do passageiro, e fugiu em seguida. O atirador chegou a ficar cerca de uma hora aguardando a vítima sair do local.

7ª fase da Operação Sisamnes

Nessa quarta-feira (28), a Polícia Federal já havia realizado a 7ª fase desta mesma operação. Na ocasião foram cumpridos mandados em São Paulo, Minas Gerais e em Mato Grosso, contra um grupo que teria sido responsável pela morte do advogado Roberto Zampieri.

Segundo as apurações, o grupo é especializado em espionagem e assassinatos sob encomenda. O esquema também envolvia o uso de garotas de programa para atrair as vítimas e tinha um tabela de preços para os serviços contratados, como assassinatos.

Como funcionava o Comando C4: a logística do crime revelada pela PF

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O grupo atuava como uma milícia de extermínio

  • Especializado em assassinatos por encomenda e espionagem
  • Alvos: políticos, empresários, ministros do Judiciário e outras figuras públicas

Valores cobrados para matar:

Figuras comuns R$ 50.000
Deputados R$ 100.000
Senadores R$ 150.000
Ministros / Judiciário R$ 250.000
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Equipamentos e veículos usados nas operações

  • 02 fuzis lançadores de dardos (tipo captura de animais)
  • 05 veículos Doblò (para sniper em movimento)
  • 05 carros pequenos/médios usados
  • Placas frias para camuflar os veículos
  • 02 drones para monitoramento aéreo
  • Rastreadores veiculares para seguir os alvos
  • 05 telefones satelitais para comunicação segura
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Infraestrutura e logística da quadrilha

  • Aluguel de casas e apartamentos temporários para vigilância e execução dos crimes
  • Uso de garotas e garotos de programa como iscas para atrair vítimas
  • Materiais de disfarce: perucas, bigodes, etc.

Leia mais

  1. Caso Zampieri: espionagem e encomendas de mortes são investigadas pela PF

  2. Grupo investigado na morte de Zampieri tinha “tabela de preços” para assassinatos

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