Justiça só encontrou filho de juiz aposentado após fuzilamento em MS

Gilberto Abelha, o Mané, é apontado por investigação como traficante e integrante de facção

Em ação que tramita na 2ª Vara Federal de Ponta Porã, Gilberto Emmanuel Fernandes Abelha, executado no último domingo (16), é apontado como traficante e integrante da maior facção criminosa do país.

Nos autos, no entanto, ele nunca apresentou defesa, sequer foi encontrado para ser notificado. Aliás, a Justiça só soube de seu paradeiro agora, após notícia do assassinato vir à tona.

Filho do juiz aposentado Mario Eduardo Fernandes Abelha, Mané, como era conhecido, tinha 41 anos e foi fuzilado enquanto saia de uma padaria localizada em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com o Paraguai e fica a 295 quilômetros distante de Campo Grande.

Em maio de 2020, o juiz federal Vitor de Oliveira Figueiredo apontou que Gilberto morava em Paraty, interior do Rio de Janeiro, portanto pediu que a justiça carioca o intimasse. O retorno veio só exato um ano depois: não houve resposta.

Foi enviado do TJRJ (Tribunal de Justiça de Rio de Janeiro) e-mail à comarca de Paraty para que a intimação fosse concretizado. Em julho de 2021 o magistrado fez nova tentativa. Em maio de 2022 a irmã de Gilberto foi encontrada em Jaú, interior de São Paulo e cidade natal de ambos.

Informou, então, que o irmão estava em Ponta Porã, só que não sabia endereço ou telefone para encontrá-lo. Nesta segunda-feira (17), pouco mais de um ano depois e dia seguinte da morte, foi informado nos autos a notícia do fuzilamento.

Agora cabe do MPF (Ministério Público Federal) anexar certidão de óbito aos autos dentro de 60 dias, assim, pelo menos para Gilberto a ação também estará enterrada.

Denúncia

De acordo com a inicial, inquérito policial mostrou a participação de Gilberto em crime de organização criminosa. A investigação teve início com as informações obtidas a partir da quebra de sigilo e acesso aos dados do aparelho celular que estava sendo utilizado Rafael Oliveira, preso por tráfico de drogas.

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“Havendo, ainda, a suspeita de que Gilberto poderia ser membro da organização criminosa conhecida por Primeiro Comando da Capital – PCC”, diz a ação.

Ainda segundo a investigação, em junho de 2020 ele estruturou e comandou laboratório de haxixe em Ponta Porã com auxílio de Rafael e um terceiro envolvido, João Gabriel Petenusse, conhecido como Red. O trio também teria manuseado e traficado drogas, principalmente haxixe.

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