Karina teve caminho interrompido por tragédia narrada em vida
Karina foi morta pelo ex-marido em fevereiro, junto com sua amiga Aline
No dia 1º de fevereiro de 2025 o relógio parou em Caarapó, interior de Mato Grosso do Sul. O nome de Karina Corim passou a integrar uma estatística que nenhuma mulher deveria fazer parte. Aos 29 anos, era uma jovem sonhadora, criativa, trabalhadora.
Dona de uma loja de capinhas, tocava o negócio com dedicação e amor. Sorria nas redes sociais, celebrava conquistas, tentava recomeçar. Mas havia uma tristeza guardada dentro de si e, por trás do brilho no olhar, vivia um silêncio carregado de medo.

O autor era o ex-marido, Renan Dantas Venezuela, de 31 anos. O motivo do crime? A negativa da mulher em reatar um relacionamento marcado por ciúmes, agressões e abusos.
No dia anterior à tragédia, 31 de janeiro, Karina estava com medo e procurou a Polícia Civil, registrando um boletim de ocorrência relatando ameaças, injúrias e agressões. Disse que Renan era possessivo, controlador.
Inclusive, anunciou que iria matá-la. O plano não parou ali, nas palavras.
Em relato à polícia, segundo relatório final do caso, Karina descreveu o que acabara de viver. O algoz, ciumento e controlador, iniciou discussão porque não gostava da presença de suas amigas no ambiente de trabalho. Proferiu xingamento e sentenciou que atearia fogo no estabelecimento.
Assim o fez, menos de 24 horas depois. Mas, foi além.
No sábado, invadiu a loja “Capinhas da Ka”, atirou covardemente contra Karina e Aline. Depois, espalhou combustível pelo ambiente, incendiou o local e se trancou no banheiro, onde tirou a própria vida com um tiro na cabeça.
Aline morreu na hora. Karina ainda foi socorrida em estado gravíssimo e transferida para Dourados. No dia 4, a notícia que ninguém queria ouvir foi confirmada: o primeiro feminicídio de Mato Grosso do Sul se confirmava.
Devido às circunstâncias do crime, a justiça ficará, para sempre, em aberto. Segundo a advogada Tarsilla Franccesca, da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/MS, quando o agressor morre, como neste caso, o processo penal é extinto.
“Nos casos de suicídio do agressor, o processo penal é encerrado por extinção da punibilidade. O Estado não pode aplicar pena a uma pessoa morta. Se o inquérito estiver em andamento, ele é arquivado assim que a certidão de óbito é apresentada ao juiz”.
No dia 22 de maio, a Polícia Civil de Caarapó indiciou o pai de Renan, um policial militar de 60 anos. A arma utilizada no crime — uma pistola — pertencia a ele. Segundo as investigações, houve negligência ao não guardar adequadamente o armamento, ao qual Renan tinha acesso habitual.
Depoimentos, áudios, imagens e dados do celular de Renan foram cruciais para apontar essa responsabilidade. Agora, cabe ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) decidir se oferecerá ou não a denúncia. Até o momento, não houve resposta oficial sobre os desdobramentos do caso.
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🚨 Denuncie a violência contra a mulher
Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:
Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;
Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;
Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;
Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line. Clique aqui e faça a denúncia.
⚠️ Violência contra a mulher não pode ser ignorada. Basta! Denuncie.

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Comentários (1)
Exatamente em Caso de Suicídio do Autor do Crime é muito importante que aja antes de Encerrar o Processo uma investigação minuciosa para ver se não tem Caprice até até com Mensagens de estimular a Prática de Vingança. Onde poder ser Parentes ou Amigos, para que possa incriminar estes Incentivadores.