Mãe de criança que estudou em creche de MS fala pela 1ª vez

O sono excessivo serviu como um anúncio de que algo não estava bem

Mãe de criança de quatro anos contou que a dona da creche clandestina presa em Naviraí, Caroline Reis Rech, sempre recebeu bem a criança, no entanto, ao ir para escola municipal, foi alertada de que o filho estava dormindo em sala de aula.

Local onde funcionava creche clandestina, em Naviraí (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Local onde funcionava creche clandestina, em Naviraí (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

O sono excessivo serviu como um anúncio de que algo não estava bem. “Ele ia dormir 17h20, 17h30 e só acordava no outro dia. Sentia muita sede e a professora (da rede municipal) relatou que ele estava dormindo também em sala de aula”.

A denúncia partiu de caso semelhante ao conselho tutelar da cidade, com base nos relatos e comportamento de uma criança que relatou ter presenciado as agressões.

“Foi detectada essa situação da escola e a escola entrou em contato com a gente. Nós entramos em contato com a família e de pronto acionamos a delegacia da mulher”, contou o conselheiro tutelar Adriano de Pontes Souza.

“Foi inacreditável imaginar que ela ali na nossa frente fazia aquilo e por trás, maltratava, judiava, torturava. É um choque mesmo”, resumiu a mãe, que preferiu não se identificar.

Caso

Caroline e outra cuidadora, Mariana de Araújo, foram presas na última segunda-feira (10) após a Polícia Civil de Naviraí receber autorização judicial para instalar equipamentos para captar imagens e áudio na creche, que funcionava numa casa de forma clandestina, sem fachada ou qualquer tipo de alvará.

A denúncia havia chegada à DAM (Delagacia da Mulher) dias antes, no entanto, somente com depoimentos, não havia provas contundentes que as levassem à prisão. Com o videomonitoramento instalado ambas foram pegas no flagra, literalmente.

Equipe policial assistiu em tempo real agressões a uma bebê de 11 meses. Caroline deu tapas na criança, além de jogá-la em um colchão por duas vezes. Já Mariana foi filmada dopando a mesma menor com remédio cujo o efeito colateral é sonolência.

O mesmo usado no aluno de quatro anos. Dopar crianças fazia parte do modus operandi de dupla que, inclusive, segundo depoimentos colhidos, colocavam panos na bocas das vítimas para que pudessem assistir séries.

Caroline segue presa sob acusação de tortura, crime inafiançável. Mariana pagou R$ 1.300 e foi liberada, mas pode voltar à detenção a qualquer momento. Ela não pode se ausentar da cidade e deve comparecer à Justiça sempre que for chamada.

A creche

O local recebia 40 alunos, mas no momento da prisão haviam três bebês de 11 meses, um ano e um ano e nove meses, além de duas crianças de sete anos.

Leia mais

  1. Transmissão ao vivo flagrou tortura a bebê de 11 meses em Naviraí

Segundo depoimento de Caroline à polícia, ela começou como babá e foi ampliando sua própria casa para receber os aluninhos.

A Prefeitura de Naviraí informou em nota que nunca fiscalizou o lugar justamente por funcionar clandestinamente.

Defesa

Em nota a creche cantinho da Tia Carol informou que trabalha há quatro anos no cuidado de crianças e negou os fatos narrados. “Neste período não agrediu, não ameaçou, não constrangeu ou não praticou qualquer ato que possa caracterizar tortura contra crianças sob seus cuidados”.

Também negou que tenha dado remédio aos menores sem consentimento dos pais ou responsáveis, sendo que medicações ministradas eram enviadas em bolsinha separada com autorização do uso via mensagem de telefone.

Por fim a nota pede que a população de Naviraí não julgue com base no que vem sendo veiculado através das redes socais. “Confiamos na Justiça, e com a tramitação do processo, poderá se defender das acusações”.

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