Mãe e 3 filhas mortas: 2 meses após assassinatos, suspeito ainda não passou por audiência em MT

A mãe Cleci Calvi Cardoso, de 45 anos, e suas filhas de 19, 13 e 10 anos, foram mortas e violentadas sexualmente, na casa em que moravam em Sorriso, há dois meses

Dois meses após ter assassinado brutalmente uma mãe e suas três filhas, em Sorriso, a 420 km da Capital, Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, ainda não passou por audiência de instrução e segue preso na PCE (Penitenciária Central do Estado), em Cuiabá.

Cleci Calvi Cardoso, de 45 anos, e suas filhas Miliane Calvi Cardoso, 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, 13 anos e Melissa Calvi Cardoso, de 10 anos, foram mortas e violentadas sexualmente, na casa em que moravam na cidade.

Cleci, Miliane, Manuela e Melissa foram assassinadas e violentadas sexualmente em novembro do ano passado, em Sorriso. (Foto: Redes socias/Divulgação)
Cleci, Miliane, Manuela e Melissa foram assassinadas e violentadas sexualmente em novembro do ano passado, em Sorriso. (Foto: Redes socias/Divulgação)

Sem data para audiência

Após dois meses do crime que chocou a cidade, Gilberto já foi denunciado e tornou-se réu, mas ainda não passou por audiência de instrução – que funciona como a 2ª audiência do caso, na qual o suspeito é ouvido na presença de um advogado de defesa ou defensor público, para produção de provas e julgamento.

O Primeira Página procurou o TJMT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso), que informou que ainda não foi definida uma data para a audiência.

Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, ainda não passou por audiência de instrução após ter matado a mãe e 3 filhas em Sorriso. (foto: Reprodução)
Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, ainda não passou por audiência de instrução após ter matado a mãe e 3 filhas em Sorriso. (foto: Reprodução)

O artigo 400 do Código Penal define o prazo máximo de 60 dias para que a audiência de instrução seja realizada.

“Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008)”, diz trecho do artigo.

Mãe e três filhas mortas

Gilberto trabalhava como pedreiro em uma obra ao lado da casa das vítimas e, no dia 25 de novembro de 2023, invadiu o local para cometer os crimes.

Cleci, Miliane, Manuela e Melissa foram encontradas no dia 27 de novembro, após familiares chamarem a polícia, já que não viam a família há alguns dias. As três possuíam facadas pelo corpo e sinais de abuso sexual. A criança menor, de 10 anos, morreu asfixiada, de acordo com a Polícia Civil

Melissa e Manuela estavam no quarto, enquanto a mãe e a filha mais velha estavam no corredor da casa, localizada no bairro Florais da Mata, segundo informações policiais.

Local em obras, ao lado da casa das vítimas, onde o suspeito foi encontrado. (Vídeo: TV Centro América)

Marca de chinelo levou ao suspeito

Preso em flagrante minutos após os corpos terem sido encontrados, Gilberto estava na obra ao lado da casa e confessou ter esfaqueado as vítimas e, enquanto ainda estavam agonizando, cometido o abuso sexual contra elas.

O suspeito de ter assassinado as quatro vítimas foi preso em flagrante, minutos após os corpos serem encontrados, conforme o delegado Bruno França, da Polícia Civil.

O suspeito foi encontrado em um local em obras ao lado da casa das vítimas. (Foto: TV Centro América)
O suspeito foi encontrado em um local em obras ao lado da casa das vítimas. (Foto: TV Centro América)

O homem explicou, ainda, que deixou a faca usada nos crimes dentro da residência, de acordo com o delegado.

“Ele morava na obra, ou seja, era uma pessoa que conhecia. Solicitamos os calçados e o chinelo dele se encaixava perfeitamente em uma mancha que havia no local do crime”, disse Bruno França.

Conforme o delegado, o acusado tinha uma grande quantidade de cabelo arrancado, que teriam sido arrancados durante luta corporal enquanto as vítimas tentavam se defender.

Prazer em matar

Gilberto foi classificado pelo delegado Bruno França como “psicopata e serial killer”. Após ter matado as vítimas em Sorriso, o criminoso entregou as roupas que usou no dia do crime e as roupas íntimas de uma das vítimas – que havia levado como souvenier, ou lembrança do crime.

O delegado afirmou, ainda, que Gilberto agiu com desprezo às mulheres, pelo modo com que se referiu ao caso durante a confissão e nos depoimentos. Segundo ele, o acusado vigiava as vítimas há algum tempo, antes decidir matá-las.

Foto famila morta Sorriso
Foto da família publicada nas redes sociais em um passeio na praia, publicada em 2018. (Foto: Instagram)

Durante a confissão, o criminoso ainda explicou que ficou na casa por bastante tempo após ter assassinado a mãe e as filhas.

“Como serial killer ele não tem vínculo nenhum com as vítimas. Ele já sabia como ia entrar e foi pela janela do banheiro dos fundos. O problema é que a gente tenta analisar a conduta criminosa com base no nosso raciocínio, mas temos que lembrar que é um psicopata, um criminoso em série. A mente dessas pessoas não funciona como a nossa”, disse o delegado.

Indiciado por 7 crimes

A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso concluiu, em dezembro do ano passado, o inquérito e indiciou Gilberto Rodrigues dos Anjos pelos crimes de 4 feminicídios, 2 estupros e 1 estupro de vulnerável, cometidos contra a mãe e as três filhas.

No dia 15 de dezembro de 2023, o suspeito foi denunciado à Justiça por quatro homicídios qualificados e três estupros, além da qualificadora de feminicídio.

O MP (Ministério Público) também imputou uma causa de aumento de pena, pois os crimes foram praticados na presença física de ascendente e descendente das vítimas. Três delas foram atingidas com golpes de faca e uma foi morta asfixiada. 

Já era procurado

Quando foi preso após as mortes de Cleci e suas filhas, Gilberto tinha dois mandados de prisão em aberto: um por latrocínio, cometido na cidade de Mineiros em Goiás, e outro por estupro na cidade de Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá.

A ficha criminal dele começa no ano de 2013 quando foi condenado em Mineiros (GO), a 425 km da capital Goiânia, por ter matado o jornalista Osni Mendes.

Por esse crime, Gilberto ficou preso por cerca de 7 meses. O advogado dele pediu a revogação da prisão, alegando que algumas diligências não haviam sido cumpridas pela polícia, e ele foi liberado pela Justiça.

Depois, o Ministério Público ofereceu denúncia e a Justiça acolheu, no entanto, Gilberto ainda não passou por julgamento. O novo mandado de prisão foi expedido em 24 de janeiro de 2018.

A perícia médica realizada no corpo do jornalista Osni Mendes mostrou que ele teria sido vítima de espancamento, apresentando traumatismo crânio encefálico e sinais de estrangulamento.

Já madrugada de 17 de setembro, Gilberto Rodrigues invadiu a residência de uma mulher de 26 anos, da qual ele era vizinho em Lucas do Rio Verde.

Segundo a Polícia Civil, a vítima estava dormindo quando ele entrou na casa dela, foi até o quarto, quebrou a porta para entrar no cômodo e cometeu abuso sexual contra ela. Depois do crime ele ainda teria tentado matá-la com uma faca, mas a vítima, segundo o boletim de ocorrência, conseguiu tomá-la, mas teve seu pescoço cortado e os dedos da mão também.

Na ocasião, a mãe da vítima estava na casa e teria sido agredida com um soco no rosto pelo suspeito ao tentar socorrer a filha. Essa agressão causou lesões no olho direito da mulher. Após os crimes, Gilberto pegou uma bicicleta e fugiu do local.

Crime brutal que marcou a cidade

O Sargento Thalmir, do Corpo de Bombeiros, explicou à reportagem que, em cerca de 20 anos de profissão, não havia presenciado um caso como este.

Sargento Thalmir, do Corpo de Bombeiros fala sobre o crime brutal contra a família em Sorriso. (Vídeo: Reprodução)

Ainda conforme Thalmir, quando equipes de bombeiros tentaram entrar na casa, perceberam que uma das janelas estava arrobada.

Quem eram as vítimas

Cleici, a mãe, era proprietária de uma empresa de prestação de crédito e a filha mais velha, Miliane, cursava agronomia em uma faculdade do município. Já as filhas mais novas, Manuela e Melissa, tinham um canal de YouTube onde falavam sobre o amor entre irmãs.

De acordo com um empresário conhecido da família, o pai das meninas e esposo de Cleici trabalha como caminhoneiro e estava em Cascavel (PR) quando o crime ocorreu.

*Matéria atualizada às 11h10 deste sábado (27) para ampliação de informações.*

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