Mães citam desespero ao descobrirem casos de abuso durante sessões com fonoaudiólogo

Crianças têm entre 5 e 8 anos; Polícia acredita que haja mais vítimas

Após casos de pedofilia envolvendo seus filhos em sessões com fonoaudiólogo, as mães das vítimas falaram com a imprensa e relataram o desespero em descobrir, pelo relato dos próprios filhos, o que estava acontecendo em cada consulta. Nesta quarta-feira (15), a Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) confirmou três casos denunciados de pacientes do fonoaudiólogo.

O Primeira Página conversou com as mães que estão chocadas com o ocorrido. Conforme uma delas, uma empresária de 38 anos, dois dos seus filhos faziam tratamentos na clínica onde o fonoaudiólogo atuava; Segundo ela, o filho mais novo perguntou a um irmão se era normal “o médico passar a mão no pênis” durante a consulta, e o irmão respondeu que não, e avisou que contaria à mãe caso o mais novo não falasse sobre o ocorrido.

Após descobrir o que tinha acontecido, a mulher começou a perceber que o filho tinha mudado e chegou a desconfiar da situação.

“Eu já estava notando a diferença dele em casa, ele estava se isolando, estava com medo, ele queria fechar a porta do quarto com chave quando ia dormir, coisa que nunca tinha feito, ele tava muito diferente”, contou.

Após o relato dos filhos, a mãe combinou com uma das crianças o seguinte: ela sairia correndo do consultório, caso o fonoaudiólogo tentasse abusar dela. E foi o que aconteceu. Nesse momento, o suspeito foi preso em flagrante.

“Na hora que pegasse no pênis era para sair correndo. Ele (fonoaudiólogo) fez. E quando meu filho saiu correndo, eu chamei a polícia”, afirmou.

Delegada da Depca acredita que novas denúncias devem aparecer
Mães citam desespero ao descobrirem casos de abuso durante sessões com fonoaudiólogo

+ UM CASO

Outra mãe conta que o filho, de 5 anos, fazia tratamento com o fonoaudiólogo por indicação, já que o menor tratava autismo e TDAH. Essa segunda mãe ficou sabendo da situação quando a empresária, que citamos acima, contou o que estava acontecendo com o filho dela.

“Eu sempre desconfiei, mas nunca tive como provar. Até o dia que ele entrou no meu carro após a consulta e estava com um pirulito na mão e nem olhava na minha cara,” contou aos prantos.

Essa mãe também chegou a questionar o fono sobre o que tinha acontecido na última sessão, e ele teria respondido a ela com áudios contraditórios, citando exercícios de fala que já haviam sido realizados com a criança.

O caso só veio à tona durante as férias, quando a criança teria feito uma brincadeira de duplo sentido e, pouco tempo depois, a mãe descobriu o que estava acontecendo durante as sessões.

Conforme a criança, o fono se tocava dentro da sala e, inclusive, trancava a porta durante a consulta. Após o ocorrido, essa mãe procurou a polícia e denunciou o caso.

“Daqui pra frente não sei o que fazer, estou em choque!”, finalizou.

Investigações

De acordo com a delegada titular da Depca, Fernanda Félix, três casos de abuso foram confirmados com duas crianças de 8 anos e outra de 5. Todos meninos.

A delegada deve ouvir o suspeito dos crimes ainda essa semana, e acredita que mais casos possam aparecer com o decorrer das investigações.

Conforme a delegada, a polícia vai acionar a clinica onde o fono atendida e solicitará a lista com todos os pacientes.

“É muito triste o que esse homem fez com nossas crianças”, afirmou Fernanda ao Primeira Página.

Clínica

A reportagem entrou em contato com a clínica onde o suspeito atuava e foi informada que ele era prestador de serviços e alugava uma sala para atendimento. Confira a conversa:

“Ele é prestador de serviço. Ele alugava uma sala conosco desde o ano passado. Estamos procurando as famílias e conversando com os pais de maneira individual. O nosso foco está nessas famílias. Já tínhamos câmeras, colocamos mais 16. A gente vai aguardar para que a justiça seja feita. Não somos coniventes com nada e não estamos acusando ninguém. A gente está orando e que a lei seja feita.”

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