“Matheus não era alvo"; delegada de MS detalha investigação em júri histórico

Daniella Kades integrou a força tarefa de delegados que investigou a relação da família Name com a morte do estudante Matheus Coutinho Xavier, aos 20 anos

Durou mais de 2h o depoimento da delegada Daniella Kades, que integrou a força tarefa de delegados que investigou a relação da família Name com a morte do estudante Matheus Coutinho Xavier, aos 20 anos, em 9 de abril de 2019.

KHADES
Delegada prestando depoimento durante o júri. (Foto: Reprodução)

Primeira testemunha a depor neste 1º dia de julgamento, Daniella detalhou os indícios que levaram a crer que o alvo da execução, não era o jovem, mas sim o pai dele, o policial Paulo Xavier, ex-segurança particular dos Name.

“Nada levava a crer que a vítima, em si, fosse o alvo ainda mais pela brutalidade daquele crime que envolvia o uso de fuzil 762, incêndio do veículo que foi encontrado no dia seguinte. Os primeiros levantamentos do local indicam que um Onix (carro usado pelos pistoleiros) havia passado em frente a residência, e logo em seguida passado novamente em alta velocidade. Um veículo igual foi encontrado próximo ao aeroporto Santa Maria. Enfim, pela característica desse crime e tendo em vista que a vítima, Matheus, não tinha nenhuma animosidade com ninguém a força tarefa, no primeiro momento, descartou que a vítima seria o Matheus e passou a acreditar que o alvo seria o pai dele”, comenta Kades.

Durante o seu depoimento, Daniella detalhou que troca de ligações, rastreio de tornozeleira eletrônica e conversas, confirmaram para a polícia o envolvimento de dois ex-guardas municipais, com o crime. A delegada ainda detalhou o que teria motivado a desavença da família Name com o PX.

O ex-policial deixou de ser o homem de ordens da família, para trabalhar como segurança do advogado renomado, Antônio Augusto Souza Coelho, que negociou propriedades sem o consentimento da família Name. A principal delas era Fazenda Figueira. A relação com o advogado fez PX ser considerado traidor dos Names.

“Seria essa o enredo, envolvendo milhos de reais e o fato de que ficou vislumbrado, através de oitivas, que o PX trabalhava para família Name, mas, parou e começa a trabalhar para Antônio Augusto. Ele (PX) não podia ter mudado de lado”, comenta.

O hacker

Daniella ainda detalhou o envolvimento do técnico em informática, Eurico dos Santos Mota, com o bando. Eurico foi contratado para monitorar os passos de Paulo Xavier.

Em depoimento no Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assal e Sequestros), delegacia que sediou o trabalho da força-tarefa, o hacker disse que Juanil Miranda Lima e José Moreira Freires, o Zezinho, foram os responsáveis pela execução do jovem.

“Zezinho já era conhecido da polícia por ter sido condenado pela morte do delegado Paulo Magalhaes. Ele era monitorado por tornozeleira eletrônica e, através do rastreio vimos que no dia 9 de março, meses antes do crime, Zezinho esteve na frente da casa da vítima e vai embora”, comenta.

Advogados pressionam delegada

Próximo ao fim da audiência, Daniella passou a ser questionada pelos advogados dos três réus: Marcelo Rios, Vladenilson Olmedo e Jamil Name Filho, o Jamilzinho. A defesa de Marcelo Rios tenta desvincular a imagem do cliente da família Name.  Todos os promotores fizeram perguntas a Daniella Kades, menos a mãe de Matheus, Cristiane Coutinho.

Acompanhe cada detalhe do depoimento, ao vivo, clicando aqui.

Quem mais será ouvido

Dentre as testemunhas de acusação, previstas para serem ouvidas durante o julgamento, estão os investigadores Jean Carlo, Paulo Xavier e os delegados Tiago Macedo, Paulo Sartori e Carlos Delano.

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