Médica denuncia transfobia e falhas na estrutura em unidade de saúde
A profissional afirma que passou a ser tratada de forma desrespeitosa, com uso reiterado de pronomes masculinos
Uma médica procurou a delegacia para denunciar um episódio de possível transfobia e falhas na estrutura da unidade de saúde durante plantão, em Campo Grande, neste domingo (12). Ela afirma que chegou a ser expulsa do plantão por uma superior que acompanhava o plantão.

De acordo com o boletim de ocorrência, a médica responsável pelo plantão na UPA Coronel Antonino e relatou que assumiu o atendimento no início da tarde, encontrando o setor em situação crítica, com diversos pacientes em estado grave distribuídos entre salas vermelha e amarela.
Ainda segundo o relato, o fluxo intenso de atendimentos, incluindo casos encaminhados por serviços de emergência, dificultava a assistência simultânea aos pacientes.
Durante o atendimento de um caso grave de choque séptico, a profissional descreve falhas estruturais que teriam comprometido a segurança do procedimento. Entre elas, a indisponibilidade de equipamentos adequados para ventilação mecânica. Um dos dispositivos utilizados teria se desmontado durante uma tentativa de ventilação após intubação, obrigando a equipe a improvisar com um equipamento pediátrico para manter o paciente estável.
A situação se agravou quando, já durante o manejo clínico, houve a necessidade de troca do tubo de intubação após dano acidental. Nesse momento, a médica acionou a direção técnica da unidade para avaliar as condições de trabalho e a falta de materiais.
Segundo a denúncia, ao chegar ao local, a superior hierárquica teria iniciado uma abordagem considerada inadequada, sem buscar informações prévias sobre o quadro clínico. A profissional afirma que passou a ser tratada de forma desrespeitosa, com uso reiterado de pronomes masculinos, mesmo após correções explícitas.
Vítima de transfobia
A médica, que é travesti, afirma que reforçou sua identidade de gênero durante a discussão. Ainda assim, segundo o boletim, o tratamento inadequado teria continuado, configurando, em tese, transfobia.
O conflito evoluiu para uma discussão mais intensa, terminando na expulsão da profissional do plantão. Conforme o registro, não houve formalização por escrito da decisão, apesar de solicitação, o que gerou impasse ético quanto à continuidade ou não do atendimento, já que o Código de Ética Médica veda o abandono de plantão.
Diante da situação, a médica acionou a Polícia Militar ainda na unidade e, posteriormente, dirigiu-se à delegacia para formalizar a ocorrência. Ela solicita investigação tanto pela possível discriminação de gênero quanto por eventual abuso de autoridade da superior. As investigações seguem em andamento.
A reportagem acionou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e aguarda retorno.
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