Médico investigado pela morte de fisioterapeuta segue preso após decisão da Justiça

O corpo de Fabíola foi enterrado na manhã desta quarta-feira (20)

A prisão em flagrante do médico cardiologista João Jazbik Neto, investigado pela morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, foi convertida em preventiva pela Justiça. Ele foi indiciado por posse irregular de arma de fogo e fraude processual. O caso segue sendo investigado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que apura as circunstâncias da morte da vítima.

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Médico cardiologista João Jazbik Neto, na residência onde o caso ocorreu (Foto: William Guedes)

Fabiola Marcotti tinha 42 anos e foi encontrada morta com um tiro na cabeça na chácara onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. O próprio médico acionou a polícia e alegou inicialmente que a esposa teria cometido suicídio.

Durante as diligências, a Polícia Civil apreendeu diversas armas e munições na propriedade. Segundo a investigação, um armário com armamentos teria sido retirado da casa principal após a morte da fisioterapeuta, fato que motivou a autuação por fraude processual.

A polícia também informou ter encontrado inconsistências nos depoimentos e na versão apresentada pelo médico. De acordo com a perícia preliminar, a lesão encontrada na vítima não seria compatível com o relato inicial apresentado às autoridades. Por isso, a hipótese de feminicídio não foi descartada.

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Fabíola era fisioterapeuta e tinha 42 anos (Foto: rede social)

Investigação por feminicídio

João Jazbik Neto foi preso em flagrante porque guardava armas sem registro em casa. A polícia foi até a residência do casal após João Jazbik ligar e avisar que a esposa havia tirado a própria vida. Assim que os agentes chegaram ao local, estranharam a cena e acionaram a Deam e a Perícia.

Segundo o delegado, João acabou preso porque mantinha em casa armas sem registro e porque ordenou que funcionários escondessem o armário em que elas estavam antes da chegada da polícia no local.

“A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito determinou que o caseiro e um ex-funcionário deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para outro casebre dentro da propriedade, o que consistia em crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrante por esse crime”.Leandro Santiago

Pela falta de documentação dos armamentos, João vai responder por posse ilegal de arma de uso restrito e de uso permitido.

Para além do flagrante das armas, uma segunda investigação foca na morte de Fabíola. Isso porque, segundo o delegado, o tipo de ferimento encontrado no corpo dela não corresponde à versão apresentada pelo cardiologista, de suicídio.

“Constatou-se também, por meio de perícia preliminar, que a lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito. […] Agora iremos instaurar inquérito policial complementar, em autos apartados, para apurar, sob uma perspectiva de gênero, as circunstâncias do óbito da vítima Fabíola, se ele se trata de um suicídio ou de um feminicídio”.

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