'Médium' é preso pela 2ª vez por denúncias de abuso sexual em Cuiabá
Até o momento, pelo menos 13 mulheres procuraram a polícia denunciando terem sido abusadas sexualmente pelo 'médium' Luiz Antônio Rodrigues da Silva, de 49 anos
O suposto ‘médium’ Luiz Antônio Rodrigues da Silva, de 49 anos, suspeito de abusar sexualmente de sete mulheres, sendo uma menor de idade, foi preso novamente nesta quinta-feira (28), pela Polícia Civil, após seis vítimas procurarem a delegacia afirmando que também sofreram abusos.
Ele havia sido preso no dia 5 de setembro e solto um dia depois, após acusações de atrair diversas vítimas por meio do TikTok e realizar os abusos em uma ‘tenda espiritual’ em Cuiabá.

‘Médium’ preso novamente
Conforme a investigação, Luiz Antônio usava a abordagem sobre vidas passadas na rede social para atrair as vítimas até a tenda onde realizaria atendimentos espirituais.
O suspeito, teve a prisão preventiva ordenada pela Justiça, devido a acusações de estupro e importunação sexual, após investigação realizada pela DEDM (Delegacia Especializada de Defesa da Mulher).
As apurações começaram quando as sete vítimas procuraram a Delegacia da Mulher em Cuiabá e relataram os casos de abuso.
Segundo as denúncias, o suspeito abusava sexualmente das vítimas durante esses encontros, alegando que era o espírito encarnado que realizava tais atos.
Com base nas evidências encontradas durante as investigações, o delegado Cley Celestino pediu a prisão preventiva do suspeito, que foi concedida pela Justiça e cumprida na tarde do dia 5 de outubro.
Porém, o suposto médium foi solto um dia após a prisão. Ele utilizou as redes sociais para anunciar que suas atividades no local permaneceriam inalteradas, e sua defesa confirmou a retomada das atividades.

Nesta quinta-feira, um novo mandado de prisão contra o suspeito foi cumprido, após outras seis vítimas procurarem a polícia para contar que foram abusadas pelo guia.
Durante os depoimentos, elas contaram que ainda existem outras mulheres também abusadas sexualmente por Luiz Antônio, que não tiveram coragem de denunciar.
Além da prisão, também foi apreendido o aparelho celular do investigado que será encaminhado para perícia para coleta de novos elementos de investigação.
Fala da vítima
O Primeira Página entrevistou uma das vítimas, que optou por manter sua identidade em sigilo. Ela relatou que começou a frequentar o local em maio de 2022, após o contato com o suposto médium. A vítima mudou-se para o interior de Mato Grosso em dezembro do mesmo ano e passou a visitar o terreiro mensalmente.
O incidente teria ocorrido no final de abril deste ano, quando ela solicitou um ‘passe’ para transmissão de energias por imposição das mãos.
Nesse momento, o suspeito a levou para uma sala de atendimento particular, onde proferiu afirmações desconcertantes sobre vidas passadas, incluindo a alegação de que ela era sua esposa em uma vida anterior e a perda de um filho. O relato continuou com a vítima descrevendo avanços não consentidos por parte do suspeito.
A mulher também contou que, após o abuso, descobriu casos semelhantes envolvendo sua cunhada e outras vítimas. O médium teria empregado táticas semelhantes durante atendimentos particulares na sala, sempre utilizando a fala sobre vidas passadas.
“Ele perguntou se já havia ficado com homens, se eu era virgem e se eu já tinha me deitado com algum homem. Ele sempre perguntava sobre a minha namorada e ficava colocando coisa na minha cabeça, dizendo que ela me traía com outro homem e que eu tinha que ficar com ele”, disse a vítima ao Primeira Página.
Importância das denúncias
A delegada titular da DEDM, Judá Marcondes, acredita que a prisão do guia espiritual pode encorajar outras vítimas que tenham sofrido abusos durante supostos atendimentos espirituais a denunciar o suspeito.
Desdobramentos
No início do mês, organizações religiosas manifestaram repúdio à conduta do homem que se apresentava como médium e, foi denunciado por abuso sexual contra pelo menos sete mulheres em Cuiabá – até o dia da primeira prisão.
A FENUCAB (Federação Nacional de Umbanda e Culto Afro-brasileiro) emitiu uma nota oficial, na qual ressaltou seu compromisso com a ética, moral e respeito nas práticas religiosas.
A organização esclareceu que Luiz Antônio e sua casa de axé nunca foram filiados à Federação, rejeitando qualquer tentativa de associar os atos dele a todos os Pais e Mães de Santo sérios.
O advogado de defesa de Luiz Antônio reforçou a inocência de seu cliente e afirmou que todas as alegações serão devidamente esclarecidas durante o inquérito em curso.
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