Michelli fugiu do marido em MS, mas foi morta em SP ao lado do filho
Suspeito atirou contra o carro da família, logo após vítima pegar os filhos em escola de ensino infantil; casal morou em Ponta Porã por cerca de três anos
Ezequiel Lemos Ramos, de 39 anos, foi preso em flagrante na Zona Leste de São Paulo (SP), após matar a tiros a ex-companheira e o filho, de um ano, na tarde de segunda-feira (12). Michelli Nicolich, de 37 anos, que há cerca de quatro meses morava com o marido em Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande, havia ido embora do estado na tentativa de fugir das ameaças por parte do suspeito.
Câmera de segurança flagrou o crime. (Veja abaixo).
Segundo o G1 SP, o crime aconteceu em frente à uma escola de ensino infantil, na rua Morro das Pedras, no bairro Parque São Rafael.
De acordo com uma testemunha, Michelli pegou os dois filhos do casal na instituição de ensino e entrou em um Uno branco. É o veículo que aparece nas imagens sendo perseguido pelo suspeito, que começa a atirar logo depois de descer de um outro carro, modelo Mobi cinza.
Mesmo após os primeiros disparos, a mulher segue dirigindo, mas perde a direção do veículo e colide contra um poste.
No vídeo, ainda é possível ver que Ezequiel se aproxima, atira novamente e vai embora correndo.
“Eu presenciei um carro saindo da escolinha e um rapaz atirando no carro até uns 200 metros. Ela perdeu o controle, bateu no poste, ele chegou lá e descarregou ainda nela. Ele tirou a camisa e falou: ‘Pode ligar pra polícia prender eu em flagrante aí'”, afirmou uma testemunha ao site de São Paulo.

Além de Michelli, os dois filhos do casal, que estavam no carro, foram feridos. Os três foram socorridos, mas, assim como a mãe, uma das crianças, de um ano, não resistiu. Não há informações sobre o estado de saúde da outra criança.
A arma usada no crime foi uma carabina e, segundo a polícia, o autor tinha licença para ter arma como colecionador ou atirador esportivo. Apesar disso, conforme o delegado que registrou o caso, Leandro Resende Rangel, houve uma grande aglomeração de pessoas, no momento da prisão, e o armamento acabou sumindo.
Conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Ezequiel estava com um comparsa, que não foi encontrado. O autor foi preso em flagrante e encaminhado ao 49º Distrito Policial de São Mateus, onde o caso foi registrado como feminicídio.
Preso por ameaçar a ex
No dia 19 de maio deste ano, Ezequiel Lemos Ramos foi levado preso para a DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Ponta Porã. Minutos antes ele teria ameaçado Michelli Nicolich com uma arma.
Naquele dia, Michelli contou que brigou com o marido por ciúmes e no meio da discussão, ele engatilhou a arma, apontou para sua cabeça e ameaçou atirar. Depois saiu de casa e ela chamou a polícia. Os militares ainda estavam no endereço quando o suspeito voltou, bastante alterado e avisou que tinha documentação das armas que guardava em casa.

Os militares encontraram as armas na casa do casal – uma pistola e uma espingarda – e várias munições. Ao todo, 58 munições de calibre 12 e 94 munições calibre 9 mm foram apreendidas.
Michelli explicou que estava desconfiada que Ezequiel estava traindo ela e por isso os dois discutiram. A mulher foi agredida com um soco no rosto. O homem pegou uma pistola, engatilhou e apontou para a cabeça da esposa. “Agora você vai me provar que fiz alguma coisa, você vai ter que provar, senão você vai morrer agora e tomar um tiro na cara”, teria dito com arma em punho.
As ameaças continuaram: “vou ficar longe de você pra não dar um tiro na sua cara, para eu não ser preso; assim é fácil morrer, não preciso pagar pistoleiro, eu mesmo faço”. Desesperada, a vítima correu e chamou a polícia.
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Nem preso Ezequiel se intimidou. Na frente de policiais civis e militares ele tentou impedir que a mulher registrasse boletim de ocorrência contra ele. “Você é louca de fazer BO, se você abrir a boca e fazer BO você vai ver”.
Na delegacia, munições foram apreendidas porque Ezequiel não conseguiu comprovar que tinha autorização para ter o armamento. A polícia, ele se apresentou como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador).
Já naquela época, a delegada que atendeu o caso, Marianne Cristine de Sousa, alertou a justiça sobre o risco em deixar Ezequiel soltou.
“O acusado, com fácil acesso às armas de fogo e um verdadeiro arsenal, poderia a qualquer momento ceifar com a vida de sua companheira e de seus dois filhos menores, de modo que é notório que o mesmo poderá continuar delinquindo no decorrer da persecução penal caso mantido em liberdade, tendo em vista notícias fornecidas pela vítima de que o autor já matou cerca de três pessoas e continuou impune, mudando de cidade”.
Homicídios e armas
Em Ponta Porã, a vítima contou a polícia que o marido havia matado, meses antes, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Durante o crime, derrubou um carregador da arma e por isso, quando chegou na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, registrou um boletim de ocorrência por furto, tudo para n ão ser ligado ao crime.
Michelli contou que estava com Ezequiel a cinco anos e há três anos morava em Ponta Porã, para o marido estudar medicina no Paraguai.
Ela revelou que a vítima morta em Foz do Iguaçu, em abril, foi um andarilho, mas antes disso, já havia assassinado três pessoas em Carapicuíba; duas mulheres e um homem. Ela não soube o nome das vítimas, mas mostrou as matérias divulgadas pela imprensa na época do crime.
No depoimento na DAM de Ponta Porã, Michelli avisou que voltaria para São Paulo, onde nasceu e revelou que era ela quem pagava as contas da casa e até a faculdade do marido. Afirmou ainda que tinha medo de que Ezequiel saísse da cadeia e “concluísse as ameaças”.
A delegada então pediu medidas protetivas para a vítima, além de reforçar a necessidade de manter o homem preso. No documento, listou que Ezequiel não deveria se aproximar da mulher ou da família dela, nem manter qualquer tipo de contato com eles, deveria também se afastar de casa e ter a posse da ama suspensa.
No dia 20 de maio, a justiça de Ponta Porã decretou a conversão da prisão em flagrante de Ezequiel por prisão preventiva, junto com a medidas protetivas que proibiam ele de se aproximar da família. No dia 1 de junho, no entanto, uma nova decisão judicial colocou o homem em liberdade.
Para isso, o juiz considerou os documentos de CAC levados pela defesa e o fato de Ezequiel ser réu primário. Como medida para ele permanecer solto, determinou que ele não falasse com Michelli, não saísse da cidade sem autorização e usasse tornozeleira eletrônica por 180 dias. O homem, no entanto, só ficou com o aparelho de monitoramento até o dia 13 de julho.

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