Taxa de homicídios entre indígenas de MS é 8 vezes acima da população geral

Com 39 indígenas assassinados, o estado só ficou atrás de Roraima (48) entre as regiões com maior número de homicídios de indígenas registrados, em 2022

Dados do “Atlas da Violência 2024” revelam que Mato Grosso do Sul continua sendo um dos estados mais violentos para a população indígena no país. A taxa de homicídios para essa população é 8 vezes maior do que para os não índios.

O estado também lidera o ranking de suicídios entre integrantes das comunidades de povos originários.

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Indígenas durante conflito em MS. (Foto: Cimi/MS)

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Homicídios

Com 39 indígenas assassinados em 2022, o estado só ficou atrás de Roraima (48) entre as regiões com maior número de homicídios de indígenas registrados, em 2022, o último ano do intervalo analisado na pesquisa. Naquele ano, 205 indígenas foram mortos em todo o país.

O estado assume a liderança quando feito o comparativo entre o número de homicídios por 100 mil habitantes. Confira:

  • Mato Grosso do Sul (171,4 homicídios registrados por 100 mil habitantes);
  • Roraima (143,9 homicídios registrados por 100 mil habitantes);
  • Amapá (83,4 homicídios registrados por 100 mil habitantes).

A taxa registrada para os povos originários em Mato Grosso do Sul em 2022, de 171,4 casos por cem mil habitantes é 8,7 vezes o da população geral, de 19,7

OOs relatório ressalta que as mortes violentas são mais numerosas em municípios com terras indígenas, como ocorre em Mato Grosso do Sul, o que aponta a eventual conexão das mortes com os conflitos por terras.

Suicídios

Também chama atenção o número de suicídios registrados entre essa população.

As maiores taxas de suicídio de 2022 encontraram-se no Mato Grosso do Sul (127,4 por 100 mil habitantes), Amazonas (67,2) e Roraima (54,0).

No estado o pior ano da década foi 2015 quando 46 indígenas tiraram a própria vida. Em 2022, o último ano analisado, foram 29 mortes por suicídio.

A maior incidência de suicídio entre indígenas no estado pode estar atribuída aos conflitos fundiários, baixa qualidade de vida e à falta de assistência psicológica a esta população, aponta o atlas da violência.

Entre 2012 e 2022, o número de mortes autoprovocadas aumentou de 90 óbitos em 2012 para 153 óbitos no último ano do intervalo, conforme o relatório.

O “Atlas da Violência” é produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Confira aqui o teor integral.

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