MS tem 43 feminicídios registrados em 2022, o maior número desde 2015

Mato Grosso do Sul apresentou um recorde histórico de feminicídios em 2022 nesta última semana de dezembro. Até terça-feira (27), 43 ocorrências de mulheres mortas por causa do gênero foram registrados. O resultado é o maior número desde a criação da lei do crime, em 2015.

painel da Deam
Painel localizado na entrada da Deam em Campo Grande. (Foto: Marta de Jesus)

Os dados são do Sigo (Serviço Integrado de Gestão Operacional) da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Eles representam um aumento de quase 28% com relação a 2021, quando foram registrados 31 homicídios qualificados por feminicídio no Estado.

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Dos 43 femicídios, 13 ocorreram em Campo Grande. Com isso, a capital é a cidade com maior número de mulheres assassinadas neste ano.

Femicídio

A Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015, prevê o feminicídio como “qualificadora do crime de homicídio e o inclui como crime hediondo”. De acordo com a lei, é um homicídio qualificado praticado “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”, onde envolve “violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

Maíra Pacheco, delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande, acredita que o crime tem vários fatores envolvidos.

“Patriarcado, machismo estrutural, ciúmes aliado e fomentado pelo álcool e outros usos excessivos e abusivos de entorpecentes”, detalha.

Maíra Pacheco
Maíra Pacheco, delegada-adjunta da Deam. (Foto: Primeira Página)

Cultura de violência

A mestra em gênero e doutora em psicologia social Jacy Curado afirma que o aumento no número de casos de feminicídio é reflexo de uma crescente cultura da violência no Brasil.

“Cada vez mais agravada pelo nosso contexto brasileiro. É uma cultura de violência, de armamento, então, uma coisa faz parte da outra. Há um agravamento (…) isso vai repercutir com esse viés de gênero”, destaca.

Especialistas também indicam que a maioria dos casos são iniciados nos períodos onde a vítima sofreu violência doméstica pelo assassino.

“O feminicídio tende basicamente como o ápice da violência contra a mulher. Na maioria das vezes, ele está associado a um histórico de violência doméstica. E tem os casos de feminicídio que não estão relacionados à violência doméstica e envolve a condição de menosprezo à mulher, mas a maioria está relacionada à violência doméstica”, aponta Márcia Paulino, psicóloga social da Semu (Subsecretaria Municipal de Políticas para as Mulheres) de Campo Grande.

Arte Basta
Campanha “Basta” do Primeira Página contra violência doméstica e feminicídio. (Foto: Divulgação)

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