MS volta a ter invasão por grupo que reivindica reforma agrária

A área escolhida fica em Japorã; no mesmo dia da invasão, a Polícia Militar foi avisada e quatro equipes foram ao local; encontraram as barracas já montadas

Mato Grosso do Sul voltou a ter propriedades rurais invadidas por grupos que reivindicam a reforma agrária no Estado, nesse fim de semana. Ligado ao movimento Frente Nacional de Luta, o grupo de aproximadamente 70 pessoas montou acampamento em Japorã – cidade a 446 quilômetros de Campo Grande – mas acabou expulso pelo homem que se identificou como dono da terra.

O grupo se instalou na propriedade na área rural do município no sábado, dia 18 de fevereiro. A ação fazia parte do “Carnaval Vermelho”, movimento liderado pela Frente Nacional de Luta que promoveu a ocupação de terras tecnicamente já reconhecidas como públicas pela Justiça.

Em Mato Grosso do Sul, a área escolhida fica em Japorã. No mesmo dia a Polícia Militar foi avisada e quatro equipes foram ao local. Encontraram as barracas já montadas. Entre o grupo, contaram 15 crianças e dez idosos, que segundo o boletim de ocorrência, era usado como escudo durante todo o tempo em que os militares conversavam com os líderes da invasão.

O grupo explicou que duas propriedades da região foram desapropriadas de narcotraficantes e estavam abandonadas há cinco anos, juntas elas somavam 290 hectares. Os líderes ainda afirmaram que não saíram até que uma ordem judicial fosse expedida e que quando isso acontecesse, deixariam da terra tranquilamente.

Sem ter o que fazer e para manter a segurança das crianças e dos idosos, os militares deixaram a área. No dia seguinte, no entanto, foram avisados que um grupo de vinte homens estavam se reunindo às margens da BR-163 para ir até o local e “retomar” a propriedade a força.

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Casa da sede foi incendiada durante a expulsão em Japorã (Foto: Reprodução FNL)

Foi justamente o que aconteceu. Quando os militares chegaram na ocupação, não encontraram mais as famílias, só a casa da sede e os barracos construídos por elas em chamas e o homem que se identificou como o dono da terra.

Ele confessou ter reunidos amigos para tirar os “invasores” a força da propriedade e avisou que ninguém foi ferido. Revelou ainda que comprou o terreno em 2015 e se comprometeu a entregar a cópia da matrícula registrada em cartório para a polícia.

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Os policiais chegaram a procurar as vítimas, para ter certeza de que não se machucaram, mas conforme o registro policial, não encontraram.

Nas redes sociais, a Frente Nacional de Luta afirmou que o ataque foi feito por bolsonaristas que se organizaram pelas redes sociais para atacar a ocupação. “O grupo que se concentrou com caminhonetes e armados agrediu fisicamente de forma violenta, companheiros da ocupação e incendiaram os barracos e imóveis da propriedade”.

“O acampamento ja foi desfeito, as trabalhadoras e trabalhadores despejados”, publicou a Frente Nacional.

Conforme apurado pela reportagem, o homem que se identificou como o dono é responsável por uma empresa de terraplanagem.

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