MT mantém maior taxa de feminicídio do Brasil, aponta Anuário de Segurança

Com 47 feminicídios em 2024, o estado divide a liderança nacional em taxa (2,5 por 100 mil mulheres), além de registrar 8 casos em que o autor cometeu suicídio após o crime

Em 2024, Mato Grosso registrou 47 casos de feminicídio – um a mais que em 2023 (46) – e manteve a maior taxa do país, empatado com Mato Grosso do Sul, em 2,5 ocorrências por 100 mil mulheres. Os feminicídios corresponderam a 47% dos homicídios de mulheres no estado, ante 44,7% em 2023, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Maria da Penha já existe há quase 18 anos, mas casos de feminicídios continuam crescendo em MT. (Foto: Reprodução)
MT mantém maior taxa de feminicídio do Brasil, aponta Anuário de Segurança (Foto: Reprodução)

Embora o número absoluto de feminicídios tenha se mantido praticamente estável (+0,5%), a elevação da proporção em relação aos homicídios de mulheres evidencia um padrão preocupante: quase metade dessas mortes envolve motivação de gênero. No mesmo período, o total de vítimas femininas de homicídio caiu de 103 para 100 (-4,5%), mas o peso dos crimes classificados como feminicídio aumentou.

Outro dado relevante do Anuário é a queda de 87,5% no número de vítimas de feminicídio que tinham Medida Protetiva de Urgência (MPU) ativa no momento do crime. Em 2023, 8 das 46 mulheres assassinadas contavam com proteção judicial; em 2024, esse número caiu para apenas 1.

No Brasil, o total de feminicídios passou de 1.475 em 2023 para 1.492 em 2024 (+1,2%), com a taxa geral subindo de 1,4 para 1,5 por 100 mil mulheres. A proporção de feminicídios em relação aos homicídios de mulheres cresceu de 37,5% para 40,3% no país, refletindo o agravamento do crime de gênero em diversas unidades da federação.

Feminicídio em MT: taxa mais alta do país

  • ? 47 feminicídios em 2024 em Mato Grosso (1 a mais que em 2023).
  • ? Taxa de 2,5 por 100 mil mulheres, a maior do país (empate com MS).
  • ? 47% dos homicídios de mulheres foram feminicídios (em 2023, era 44,7%).
  • ? Apenas 1 vítima tinha medida protetiva ativa em 2024 (eram 8 em 2023).
  • ?? Brasil: 1.492 feminicídios em 2024 (+1,2%) — taxa nacional subiu de 1,4 para 1,5 por 100 mil.
  • ? Proporção de feminicídios nos homicídios femininos: de 37,5% (2023) para 40,3% (2024).

Casos de feminicídio seguidos de suicídio em MT crescem 60% em um ano

Além do alto índice de feminicídios em Mato Grosso, os dados sobre casos seguidos de suicídio pelo autor também chamam atenção. No Brasil, esses episódios cresceram de 51 em 2023 para 62 em 2024 (+21,6%), indicando que o padrão de violência extrema muitas vezes termina com a própria morte do agressor. Em Mato Grosso, houve aumento de 5 para 8 casos no mesmo período, reforçando um perfil de crimes impulsivos e de alta letalidade, em que o autor, ao perceber a gravidade do ato, põe fim à própria vida.

Esse crescimento em MT espelha tendências observadas em outras unidades da federação. Estados como Pará (de 3 para 5) e Piauí (de 6 para 8) também registraram elevação, enquanto Santa Catarina, que liderava o ranking em 2023 com 11 casos, apresentou ligeira redução para 8.

O que diz o Estado

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) informou que o “Governo de Mato Grosso tem investido em ações preventivas e de combate à violência contra a mulher”. Dentre as ações listadas pela pasta estão: o índice de resolução dos casos de feminicídio registrados no estado, em 2024; a implantação do auxílio moradia às vítimas e a do Plantão de 24h para atendimento de mulheres.

Veja nota na íntegra:

O Governo de Mato Grosso tem investido em ações preventivas e de combate à violência contra a mulher. Alguns dados relevantes:

  • Em 2024, o índice de resolução também alcançou 100%. Os 47 inquéritos de feminicídio foram concluídos com autoria definida e as investigações resultaram em 36 prisões.
  • Em Cuiabá, foi implementado o Plantão 24 Horas de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica e Sexual, oferecendo atendimento de emergência ininterrupto às vítimas.
  • Implantou, em 2023, o auxílio moradia, no valor de R$ 600, por meio do SER Família Mulher. Atualmente, 601 mulheres são atendidas pelo programa.
  • Setasc e Sesp firmaram termo de cooperação para pagamento de horas extras a policiais civis e militares e bombeiros que atuarem nas ações do programa SER Família Mulher, fortalecendo o combate à violência contra as mulheres.
  • Também por meio da Setasc, a Sesp e a Polícia Civil participaram da Expedição MT por Elas, visitando as 15 Regionais do Estado para capacitar toda a rede de proteção.
  • Em 2024, a Polícia Civil inaugurou a sala do Plantão Especializado de Atendimento à Mulher e Vulneráveis em Rondonópolis e outra no plantão de Várzea Grande, para garantir acolhimento humanizado para mulheres.
  • Ainda em 2024, houve a criação da Superintendência de Políticas Públicas para as Mulheres – SER Família Mulher.
  • Também foi estabelecida a Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, sob a responsabilidade da Polícia Judiciária Civil, para garantir os direitos das mulheres e grupos vulneráveis.
  • Criação do Projeto Casa de Eurídice, que oferece atendimento virtual multidisciplinar, incluindo orientação jurídica com advogados credenciados, apoio psicológico via plantão social no WhatsApp, assistência social e inserção produtiva por meio de cursos de qualificação, como o programa SER Família Capacita.
  • A Patrulha Maria da Penha, conduzida pela Polícia Militar, orienta e acompanha o pós-ocorrência para evitar a reincidência do crime contra a mulher.
  • Câmara Temática de Defesa da Mulher, conduzida pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) com representantes das forças de segurança de Mato Grosso, do Sistema de Justiça e outras instituições, com o objetivo de discutir e planejar ações integradas para ampliar o combate à violência contra a mulher.

também alcançou 100%. Os 47 inquéritos de feminicídio foram concluídos com autoria definida e as investigações resultaram em 36 prisões.

  • Em Cuiabá, foi implementado o Plantão 24 Horas de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica e Sexual, oferecendo atendimento de emergência ininterrupto às vítimas.
  • Implantou, em 2023, o auxílio moradia, no valor de R$ 600, por meio do SER Família Mulher. Atualmente, 601 mulheres são atendidas pelo programa.
  • Setasc e Sesp firmaram termo de cooperação para pagamento de horas extras a policiais civis e militares e bombeiros que atuarem nas ações do programa SER Família Mulher, fortalecendo o combate à violência contra as mulheres.
  • Também por meio da Setasc, a Sesp e a Polícia Civil participaram da Expedição MT por Elas, visitando as 15 Regionais do Estado para capacitar toda a rede de proteção.
  • Em 2024, a Polícia Civil inaugurou a sala do Plantão Especializado de Atendimento à Mulher e Vulneráveis em Rondonópolis e outra no plantão de Várzea Grande, para garantir acolhimento humanizado para mulheres.
  • Ainda em 2024, houve a criação da Superintendência de Políticas Públicas para as Mulheres – SER Família Mulher.
  • Também foi estabelecida a Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, sob a responsabilidade da Polícia Judiciária Civil, para garantir os direitos das mulheres e grupos vulneráveis.
  • Criação do Projeto Casa de Eurídice, que oferece atendimento virtual multidisciplinar, incluindo orientação jurídica com advogados credenciados, apoio psicológico via plantão social no WhatsApp, assistência social e inserção produtiva por meio de cursos de qualificação, como o programa SER Família Capacita.
  • A Patrulha Maria da Penha, conduzida pela Polícia Militar, orienta e acompanha o pós-ocorrência para evitar a reincidência do crime contra a mulher.
  • Câmara Temática de Defesa da Mulher, conduzida pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) com representantes das forças de segurança de Mato Grosso, do Sistema de Justiça e outras instituições, com o objetivo de discutir e planejar ações integradas para ampliar o combate à violência contra a mulher.

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