Mulher suspeita de entregar envelope com R$ 10 mil no TJMT se apresenta à polícia em Cuiabá

Investigação apura origem e destino do dinheiro entregue em nome do presidente do TJMT; mulher de PM se apresentou e teve prisão cumprida

Laura Kellys da Cruz, mulher do sargento da Polícia Militar Jackson Pereira Barbosa, que está preso por envolvimento na morte do advogado Renato Nery, se entregou à Polícia Civil nesta terça-feira (19), em Cuiabá. Ela é suspeita de se passar pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, e enviar um envelope com R$ 10 mil à sede da Corte em Cuiabá, na semana passada.

Prédio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. (Foto: Reprodução/ TJMT)
Mulher suspeita de enviar dinheiro ao presidente do TJ se entrega a polícia (Foto: Reprodução/ TJMT)

Segundo a Polícia Civil, Laura Kellys se apresentou na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), onde foi ouvida e teve o mandado de prisão cumprido.

No que ela está envolvida?

Laura Kellys, mulher do PM preso Jackson Pereira, estava com o sargento da PM, Eduardo Soares de Moraes, no Fórum de Cuiabá no dia 12 de agosto.

O militar disse em interrogatório que foi chamado por Laura para acompanhá-la até o Fórum, onde ela aguardaria um advogado.

Durante a espera, ela teria pedido que ele entregasse um envelope a um motorista de aplicativo. Eduardo relatou ter percebido que se tratava de dinheiro pelo volume das cédulas, mas afirmou não ter questionado a origem ou o motivo da entrega.

Após a ausência do suposto advogado, Eduardo levou Laura até a rodoviária de Cuiabá e, em seguida, foi para a casa de sua namorada.

No mesmo dia, José Zuquim Nogueira gravou um vídeo para denunciar o caso. “O que me traz nesse momento dialogando com vocês é um fato ocorrido ontem, dia 12 de agosto, no final da tarde, início da noite, na guarita do nosso Tribunal de Justiça. (…) Isso me surpreendeu muito, me deixou estarrecido e eu desci então para verificar o que havia”, disse. Veja o vídeo abaixo:

A investigação revelou que a corrida foi solicitada pelo aplicativo InDrive em nome do presidente do TJMT, com foto e dados falsos. O motorista, desconfiado da situação e sem encontrar um destinatário no tribunal, acionou a segurança institucional, que confirmou que o desembargador não aguardava nenhuma entrega e não havia solicitado o serviço.

Enquanto o flagrante contra Eduardo era formalizado, uma revista na unidade onde Jackson está custodiado encontrou um aparelho celular Samsung no mesmo espaço em que ele se encontra. A informação inicial era de que o aparelho pertencia a outro preso, Elias Ribeiro da Silva, mas o fato de estar junto a Jackson despertou a necessidade de aprofundar as apurações.

Jackson Pereira Barbosa está preso desde 2024, acusado de participação no homicídio do advogado Renato Nery, executado a tiros em julho do ano passado. Segundo o Ministério Público, o crime teria sido motivado por uma dívida de R$ 200 mil e contou com a participação de outros policiais militares.

Eduardo Soares de Moraes foi autuado por falsidade ideológica e associação criminosa. A Polícia Civil representou pela sua prisão preventiva, alegando risco à ordem pública e possibilidade de reiteração criminosa, além da gravidade do modus operandi, que envolveu o nome e a imagem do presidente do TJMT.

As investigações continuam para esclarecer a origem e o destino do dinheiro, bem como confirmar se Jackson teve participação na articulação da entrega. 

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