Nem tão pacata: Campo Grande está na 6ª posição em feminicídios no Brasil

Dados do Mapa da Segurança Pública mostram que houve aumento nos casos de 2023 para 2024

Amargando a 6ª posição entre as cidades com maior número de casos de feminicídios em 2024, Campo Grande entrou para a lista dos municípios que registraram aumento do crime de um ano para o outro. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11), através do Mapa da Segurança Pública 2025, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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Casa da Mulher Brasileira recebeu novo setor para acelerar processos de medidas protetitvas (Foto: Divulgação)

Segundo o informativo, no Brasil, 1.549 mulheres perderam a vida no ano passado, sendo um aumento de 0,69% em relação a 2023. Quando comparado com o estado, Mato Grosso do Sul registrou a 2ª maior taxa de feminicídio do país, a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Mato Grosso. 

Já para os municípios, das 10 cidades com maior número de casos, 9 são capitais. Entre elas, está Campo Grande, que registrou 11 mortes em 2024, perdendo apenas para Rio de Janeiro (51), São Paulo (51), Brasília (23), Manaus (16) e Teresina (12).

Ainda conforme a análise, houve um aumento gradual no número de feminicídio no país, de 2020 a 2025, saltando de 1.355 mortes para 1.459. 

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Dados do Mapa da Segurança Pública

Feminicídios em 2025

Até o momento, Mato Grosso do Sul já contabiliza 15 casos de feminicídio em 2025, sendo 4 somente em Campo Grande. Dos 6 meses do ano, maio foi considerado o mais letal, quando 6 mulheres perderam a vida, sendo a mais jovem, uma bebê de 10 meses. 

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Para a Promotora de Justiça Lívia Carla Bariani, que atua há quase 14 anos em casos de feminicídio no Ministério Público, o maior desafio é fazer com que a mulher entenda o ciclo de violência que vive. 

“Ainda falta a informação. A mulher não consegue identificar aquele relacionamento tóxico, a família não consegue identificar, a sociedade julga essa mulher a todo momento”, ressalta Bariani.

Ela explica que a violência não começa com a agressão física, mas sim com humilhações e controle psicológico.

“O feminicídio não acontece da pessoa acordar e falar: ‘Hoje eu vou matar a minha esposa’. Não é assim que acontece”, enfatiza. O afastamento da família e o controle da vida da mulher são sinais de alerta.

Como a sociedade e a justiça podem agir

Questionada sobre medidas para diminuir esses números alarmantes, a promotora destaca a necessidade de uma comunicação constante e da responsabilização dos agressores. 

“Para que a gente mude o pensamento de uma sociedade, para que a gente mude o pensamento de homens e mulheres a respeito da questão de gênero, ainda nós vamos ver muitos feminicídios, infelizmente, mas nós não podemos parar”, pondera.

Ela reforça que a mulher não é obrigada a registrar um boletim de ocorrência, bastando pedir uma medida protetiva para afastar o agressor e iniciar outros processos legais, como separação e guarda de filhos.

“Não é uma situação fácil, não é uma situação que se resolva em 5 minutos, nem em uma semana, mas nós temos que continuar oferecendo ajuda e cuidando dessas mulheres”, finaliza a promotora.

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