Noiva de morto por motorista embriagada em Cuiabá desabafa: 'A gente tinha planos de casar'
Com casamento marcado para o início do ano que vem, noiva de motociclista morto por motorista embriagada pede justiça e diz que os sonhos do casal foram destruídos.
“A gente tinha planos de casar no início do ano que vem. Agora só restam lembranças”. O desabafo da jovem Letícia dos Santos Pereira, noiva de Wesley Araújo Kaufmann, de 23 anos, resume a dor e a revolta de uma família que perdeu um filho, um amigo e um companheiro em um acidente provocado por uma motorista embriagada, em Cuiabá.

O acidente aconteceu na madrugada de sábado (11), próximo à ponte que liga Cuiabá e Várzea Grande, no bairro Parque Atalaia. Wesley pilotava uma motocicleta e levava na garupa o amigo de infância, João Lucas Barbosa, quando foram atingidos por um carro conduzido por Atenize Corrêa Gomes.

“Antes de a gente entrar na curva, deu pra ver o carro vindo em alta velocidade. Ele ainda tentou desviar, mas ela veio voando da descida da ponte. Só deu tempo de fechar o olho e sentir o impacto”, contou João, que sobreviveu ao acidente com ferimentos leves.
Wesley morreu no local. Trabalhava como conferente em uma transportadora e havia acabado de encerrar o expediente. “Ele era amoroso, generoso e sonhador. A gente estava construindo tudo juntos, e ela destruiu nossa família”, lamentou Letícia, com a voz embargada.

A mãe dele, Aparecida de Araújo, também fez um apelo emocionado por justiça. “Essa juíza não pensou que eu nunca mais vou ver meu filho. Ela destruiu minha vida, a da esposa dele, dos meus filhos, de todo mundo. Até agora pra mim ele tá em casa, esperando o horário de sempre pra mandar mensagem”, disse.

Segundo o comandante Diego Guindani, do 9º Batalhão da Polícia Militar, o teste do bafômetro comprovou a embriaguez da motorista. “Foi mais uma tragédia em que o álcool e o volante se misturam, com um resultado irreversível”, afirmou.
Atenize foi presa em flagrante, e a juíza homologou a prisão, mas não decretou a preventiva, entendendo que o crime foi culposo, sem intenção de matar, e que a acusada possui emprego fixo, residência e uma filha dependente.
A decisão gerou revolta entre familiares e amigos da vítima. “Ela podia estar presa, cumprir a pena dela, mas tá em casa com a filha, enquanto eu nunca mais vou ter o meu filho de volta”, desabafou a mãe.
A defesa da motorista não se manifestou até a publicação desta reportagem.
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