'Nunca imaginei viver isso', diz sobrinha de suspeito de matar professora

Assistente social pediu perdão às filhas da vítima e afirmou que o crime foi motivado pela não aceitação da separação.

“Eu nunca imaginei que a minha família passaria por isso”, afirmou a assistente social Ana Paula Louzada, sobrinha de Paulo Neves Bispo, de 61 anos, suspeito de matar a tiros a professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, nesta segunda-feira (16), no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá.

Ana Paula pediu perdão à família da vítima. “Ele era meu tio, por parte de mãe. Eu não tenho o que dizer. A única coisa que eu quero é pedir perdão às minhas primas pela atrocidade que ele fez com a mãe delas e por não ter aceitado o processo de separação. Mulher nenhuma tem que viver isso. Elas não teriam que passar por essa tragédia”, declarou.

Sobrinha de suspeito de feminicídio pede perdão às primas. Vídeo: TVCA

A familiar afirmou ainda que o crime é reflexo de uma postura de não aceitação do fim do relacionamento. “É um surto. Não aceitar que não tem mais posse sobre alguém. A gente vivencia isso todos os dias na sociedade, mas eu nunca imaginei que a minha família passaria por isso. Nós fracassamos em relação à conduta dele”, lamentou.

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Luciene, de 51 anos, foi morta dentro de casa, em Cuiabá – Foto: Reprodução

O caso

De acordo com a Polícia Militar, o ex-marido teria invadido a casa de Luciene, pulado o muro e a surpreendido por volta das 6h enquanto ela ainda tomava café. Após atirar contra a mulher, o suspeito teria tentado atacar a própria filha grávida. No entanto, ela conseguiu se trancar dentro de um quarto e não foi atingida.

Paulo tentou deixar o local, mas foi acompanhado por moradores até o bairro Jardim Liberdade, onde segundo a PM, ele estaria indo em direção à casa da outra filha para cometer outro crime. Durante a perseguição de moradores, um policial à paisana disparou e atingiu Paulo pelas costas, que morreu ainda no local.

Vizinhos relataram que Luciene e Paulo mantiveram um relacionamento por 31 anos e que ele não aceitava o fim da relação que havia acontecido em agosto.

Paulo Neves Bispo
Paulo Neves Bispo, suspeito de matar a professora Luciene Naves Correia, em Cuiabá. Foto: Reprodução

Feminicídio

Este foi o primeiro caso de feminicídio do ano em Cuiabá. A morte da professora soma-se às estatísticas de feminicídio em Mato Grosso neste início de ano, segundo dados do Observatório Caliandra, que se baseia em informações da Polícia Civil, Luciene é a quarta vítima em 2026.

Em 2025, 54 mulheres foram vítimas de feminicídio.

Em nora, o prefeito Abilio Brunini lamentou o falecimento da professora que estava lotada na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem, localizada no bairro Jardim Fortaleza.

“Que Deus receba essa mulher com sua infinita benção. Esse ciclo de violência contra as mulheres precisa ser repudiado e combatido diariamente”, afirmou o prefeito.

Luciene Naves Correia trabalhava ininterruptamente como professora na Prefeitura de Cuiabá, desde 2009, a partir de contratos firmados pela Secretaria Municipal de Educação. Em 2026, trabalhava como CAD (Cuidadora de Aluno com Deficiência).

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