O que dizem o governo e as lideranças indígenas sobre conflito em Amambai
Sejusp vai manter reforço policial na região para evitar novos conflitos indígenas.
Durante toda esta sexta-feira (24) chegaram depoimentos, vídeos e relatos sobre o que está acontecendo na Amanbaí. Por conta da complexidade do tema, o Primeira Página foi atrás de ouvir os envolvidos e o que acham as lideranças de ambas as partes.
Lideranças indígenas criticam atuação do governo diante da paralisação das demarcações de terras e dos conflitos que essa situação tem gerado em Mato Grosso do Sul. Segundo o secretário Antonio Carlos Videira, da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), o reforço policial será mantido na região de Amambai, para evitar novos conflitos como os registrados nesta sexta-feira (24).
“O próprio estado hoje é causador da violência contra nosso povo. Queremos que o estado faça seu trabalho de salvaguardar os direitos da comunidade indígena e que cesse essa perseguição, essas mortes contra o nosso povo”, afirmou o historiador Guarani Kaiowá, Natanael Vilharva Cáceres.
“A Polícia Militar foi atender uma ocorrência grave de crime contra o patrimônio com risco de morte eminente, tanto que nossos policiais foram recebidos a tiros. Nós vamos manter o reforço em toda aquela região para evitar novos confrontos”, explicou o secretário.
A aldeia Guapoy, em Amambai, faz parte da segunda maior comunidade indígena de Mato Grosso do Sul com mais de 7 mil integrantes. Os membros são da etnia Guarani Kaiowá e lutam pela propriedade rural, que fica dentro do território ancestral de Tujury Guapo’y Mirin, ocupada pelo grupo de indígenas na noite de quinta-feira (23).

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) usou as redes sociais para se manifestar sobre o conflito em Amambai. De acordo com a publicação, a entidade teme que a situação evolua para um novo episódio de “massacre” contra os Guarani Kaiowá, como o ocorrido em 2016, em Caarapó, que fica a 258 km da capital.
Conforme o Cimi, para os Guarani Kaiowá, a terra Guapoy é parte de um território tradicional que teria sido retirada de parte da reserva de Amambai. Os indígenas querem chamar atenção para proteção à vida e aos direitos.

De acordo com a Sejusp, havia a informação de que as próprias lideranças indígenas pediam segurança na região. “Nós temos notícia de que alguns indígenas que trabalhavam em roças de maconha no Paraguai vieram para aldeia, buscado destituir aquela liderança que foi eleita, buscando instalar o caos ali. Ele já vinha pedindo o apoio da segurança”, afirmou Videira.
A gente não vai ficar parado, enquanto o Estado está oprimindo e matando os nossos povos. Em qualquer lugar se tem direito sobre a vida. Nem um cachorro, nem um passarinho se pode matar, porque a vida de um indígena vale mais do que um pé-de-soja, uma cabeça de gado.
Natanael Vilharva Cáceres, historiador Guarani Kaiowá
Sobre mortos e feridos por causa do conflito entre policiais e indígenas, o secretário disse que tem a informação de seis vítimas até o momento. Ainda três policiais foram atingidos com ferimentos leves na perna e braço, por causa dos equipamentos de proteção.
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“Não sei dizer se não todos indígenas, ou paraguaios, ou indígenas do Paraguai que foram atingidos. Desses aí, três foram removidos para Ponta Porã”, disse. Os pacientes transferidos estavam com ferimento no abdômen e outro no fêmur.
Por enquanto, o Hospital Regional de Amambai confirmou a morte de um indígena de 25 anos, que foi ferido por três tiros e já teria chegado morto ao hospital.
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