Operação "Codicia": atendimento ficou suspenso em uma das delegacias de Ponta Porã

Foram cumpridos 8 mandados de prisão preventiva e um de temporária

O cumprimento de mandados da operação “Codicia”, de combate à corrupção entre policiais civis, suspendeu o atendimento ao público nesta segunda-feira (25) na 2ª Delegacia de Polícia Civil em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul localizada na fronteira com o Paraguai. Dez pessoas foram alvos da ação.

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Policiais entram na 2ª Delegacia em Ponta Porã, onde foram cumpridos a maior parte dos mandados da operação “Codicia”. (Foto: Canal Aberto)

Oito pessoas foram presas preventivamente, uma temporariamente e outra foi alvo de medida cautelar diversa da prisão, que não foi detalhada. Foram cumpridos, no âmbito da operação, 16 mandados de busca e apreensão, como parte de investigação iniciada há um ano, para esclarecer a suspeita de envolvimento de policiais com o crime.

Uma das ordens judiciais envolve um delegado.

Outro mandado de prisão envolve uma investigadora já aposentada da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã. Por isso, chegou a haver cogitação de suspensão também nos trabalhos dessa unidade, mas não foi necessário. O cumprimento foi feito na casa dela.

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Conforme a informação da titular da unidade policial, delegada Analu Ferraz, o atendimento está normal. A 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã funciona 24 horas e é a maior da cidade.

A volta do atendimento na 2ª Delegacia foi prevista ainda para esta segunda-feira, de acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil. A cidade tem uma terceira delegacia, de Atendimento à Mulher, que não foi alvo da ação.

Do que se trata a operação

Iniciada há um ano, a investigação é para coibir a prática dos crimes de concussão, peculato, tráfico de drogas e delitos correlatos nas delegacias da cidade.

Entre os alvos de mandado de busca e apreensão, está um delegado de Polícia Civil, segundo apurou o Primeira Página. 

Segundo o Gaeco divulgou, tudo começou com a suspeita de cobrança de “resgate” para entrega de um veículo apreendido às vítimas.

“As investigações se iniciaram em maio de 2021 com a notícia de concussão praticada por parte de alguns policiais civis da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã na restituição de um caminhão/carreta para as respectivas vítimas, cujo pagamento se deu em parte por meio de um “Pix”, crime que, ao final, restou provado”, escreveu o grupo do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul na nota à imprensa.

Como informado, foram cerca de 10 meses de trabalho, que identificou uma associação criminosa formada por policiais civis aposentados e ativa. A suspeita é de que eles utilizavam das delegacias de Polícia Civil de Ponta Porã para a obtenção de “vantagens patrimoniais indevidas”, especialmente relacionadas à gestão de veículos apreendidos e sob a responsabilidade daquelas unidades policiais.

Tráfico de drogas

Também ficou demonstrado, conforme o Gaeco, a existência de uma associação para o tráfico, cuja droga comercializada era, algumas vezes, retirada do depósito da Delegacia de Polícia por um escrivão de polícia e repassada aos seus comparsas para a revenda.

A ação teve apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, além da Corregedoria da Polícia Civil.

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