Operação “Codicia”: delegado investigado por corrupção teria entrado em processos da Omertà

Patrick Linares é investigado por participar de um esquema de corrupção em delegacia de Ponta Porã

Análises telemáticas feitas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) durante investigações do esquema de corrupção dentro da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã – cidade a 295 quilômetros de Campo Grande – revelaram que o delegado Patrick Linares acompanhou processos originários da força-tarefa da Operação Omertà.

Patrick Linares da Costa (Foto: Arquivo/TV Morena)
Patrick Linares da Costa (Foto: Arquivo/TV Morena)

Conforme relatório descrito em 700 páginas enviadas a justiça, a análise dos endereços eletrônicos de Linares revelaram que ele acessou aos processos de Jamil Name Filho e Fahd Jamil.

Fahd Jamil, conhecido como o “Rei da Fronteira” e Jamil Name, o “Velho”, foram alvos da operação que pela primeira vez comprovou a existência de um grupo de extermínio em Mato Grosso do Sul. Enquanto um controlava a fronteira do Estado com o Paraguai, o outro retinha o domínio do jogo do bicho em Campo Grande.

Esse acompanhamento dos processos, segundo o Gaeco, aconteceu entre os dias 4 e 31 de agosto do ano passado. Além disso, o mesmo foi feito por Márcio André Molina de Azevedo, um dos seis policiais presos por envolvimento no esquema de corrupção descoberto na Operação “Codicia”. Ele ainda teria na lista de contatos Flávio Correa Jamil Georges, filho de Fahd e foragido da justiça desde o ano passado.

Ao Primeira Página, o advogado Diego Marcos Gonçalves afirmou que a tentativa de ligar o delegado aos crimes praticados pelos alvos da Operação Omertà é “impossível”. O defensor explicou que o delegado apenas trabalhou na mesma unidade que alguns dos suspeitos e não tem relação com o grupo criminoso.

“Patrick não tem nenhum envolvimento com qualquer dos acusados, relação alguma ou qualquer interesse na Operação Omertà ou mesmo os envolvidos. Ligar ele a Operação é impossível. Daqui a pouco até os crimes que ele coibiu não fronteira vão ser responsabilidade dele, é surreal”, defendeu Diego.

Linares está em liberdade, mas para isso foi afastado do cargo de delegado. Recém aprovado em concurso para magistratura, ele também foi impedido de tomar posse como juiz.

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No mundo virtual

Outro ponto que chamou atenção do Gaeco, durante as apurações, foi a suposta existência de um e-mail com base no Peru do qual Linares teria acesso. No relatório, a explicação é que pelo endereço usual do delegado, foi possível encontrar uma notificação do Google para recuperação dessa outra conta, para a qual um vídeo foi enviado.

A investigação tentou ter acesso a essas imagens, mas pela conta estar registrada em outro país, não foi possível. Para a defesa de Linares, a existência desse e-mail é desconhecida. “Sobre esse e-mail do exterior nós desconhecemos, e ele possui apenas dois, o pessoal Gmail brasileiro e o institucional da Polícia Civil”.

Acusações

Durante as apurações, o Gaeco chegou à conclusão de que no tempo em que Linares foi titular da unidade, alguns escrivães, investigadores e até perito criminal, cobravam “taxas” para liberar veículos apreendidos.

Um dos episódios de corrupção também liga Linares a alvo da Omertà. Enquanto titular da delegacia, ele entregou ilegalmente uma caminhonete Toyota Hilux apreendida para o investigador Elvis Elir Camargo Lima, preso em setembro de 2019 com o carro e uma pistola.

Para o Gaeco, o que chama atenção é quem assinou como testemunha do termo de fiel de depositário do veículo: o escrivão aposentado Valdenei Peromalle, o “Nei”, e o ex-policial Rafael Grandini Salles.

“Nei”, como é conhecido, foi apontado como o responsável pelas “negociações” com vítimas de roubos e furtos que tinham os veículos recuperados, mas eram compelidas a pagar valores para receber o bem de volta. Com interceptações telefônicas foram descobertas várias conversas do suspeito com vítimas e, principalmente, locadoras e seguradoras.

Rafael Grandini Salles era investigador em Ponta Porã e foi preso por tráfico de drogas, contrabando e organização criminosa. Ele já foi condenado e demitido. Elvis Elir ainda segue na Polícia Civil, com salário bruto de R$ 9 mil, uma vez que os processos nos quais é acusado ainda não transitaram em julgado.

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