Para fugir de golpe como o da Genesis, suspeite do que é muito bom

O melhor a fazer quando recebe uma proposta tentadora é compartilhar informações com quem entende de investimentos e procurar referências

“A riqueza que é fácil de ganhar, é fácil de perder”. O ditado popular é a chave para fugir dos estelionatários que cada dia mais se especializam em golpes pela internet. É o caso da empresa Genesis, suspeita de enganar moradores de diversos estados brasileiros, entre eles, Mato Grosso do Sul.

Ao Primeira Página, o delegado de Polícia Civil Rodrigo Camapum faz o alerta: desconfie quando a oferta é boa demais.

Para evitar que novas vítimas caiam no golpe, o Primeira Página conversou com o delegado Rodrigo Alencar Machado Camapum nesta quarta-feira (21):

“Primeiro é necessário entender porque esse tipo de golpe é praticado. O estelionatário se utiliza da simpatia tática; ele cria uma empatia com a vítima e isso faz com que os mecanismos emocional delas trabalhe tenha com um valor maior que a própria razão. E muitas vezes, motivada pela ambição, pelo interesse de ter um lucro maior, a pessoa acaba deixando de lado aquilo que ela conhece, o estudo que ela tem, a respeito de ações e passa agir pela emoção”, explicou Camapum.

A proposta da empresa para as vítimas era de investimentos em operações “Day Trade” – modalidade de investimento rápido em bolsa de valores – de retorno rápido. Quem aceitava, no entanto, era direcionado para a bolsa de valores asiática e incentivado a convidar os amigos para participar do grupo.

genesis
Apresentação da Genesis aos possíveis investidores (Foto: Arquivo)

Cada pessoa chegava a ganhar de 2% a 2,5% de lucro em cima do valor depositado por dia. Nas contas digitais, as pessoas viam o dinheiro crescer e acumulavam depoimentos de investidores felizes com montantes angariados. Mas as coisas mudaram e com o tempo, ninguém mais conseguiu sacar mais. Por fim, o aplicativo foi excluído, deixando milhares de pessoas com os bolsos vazios.

Justamente por isso, a melhor prevenção é desconfiar de tudo que é “fácil demais”.

“Aquilo que é muito bom, geralmente, a gente tem que correr atrás, ele não vem batendo na nossa porta. E normalmente requer estudo, requer que você conheça como o mercado de trabalho”, alertou.

O melhor a fazer quando recebe uma proposta como a feita pela Genesis é compartilhar informações com quem entende de investimentos e sempre procurar referências das empresas.

“Procure sempre falar com um especialista, procure sempre conversar com amigos que já fizeram investimentos no mercado financeiro; hoje temos uma ferramenta fantástica de pesquisa em um banco de dados que atrás informações do mundo inteiro, a internet. Procure informações sobre a empresa, procure sobre a reputação da empresa, para reduzir os riscos”

Até agora, dois boletins de ocorrência foram registrados na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) em Campo Grande – nos dias 17 e 19 de junho – mas já se sabe que o número de vítimas no estado é bem maior.

No sábado, a família do ex-vereador Paulo Pedro procurou a polícia para contar que investiram juntos quase R$ 60 mil e simplesmente pararam de ter acessos as contas e ao dinheiro.

Leia mais

  1. Tentação do dinheiro fácil atraiu vítimas a golpe da Genesis

  2. Vítimas de empresa relatam golpe que soma mais de R$ 45 mil

  3. Ex-vereador de Campo Grande e família são vítimas de golpe

Dois dias depois, um homem de 47 anos também foi a delegacia denunciar ser vítima do mesmo golpe. Incentivado pela namorada, ele mandou R$ 27.400,00 para a Genesis e depois de alguns dias, parou de ter acesso ao aplicativo. Só depois disso resolveu registrar o boletim de ocorrência.

Procurar uma delegacia também é um passos importantes, principalmente depois que o golpe já foi aplicado. É a partir dele que a polícia vai conseguir juntar as peças do crime, chegar aos autores e quem sabe, recuperar parte dos valores perdidos pelas vítimas. Por isso, o pedido é que todos os detalhes do caso sejam repassados aos policiais.

Nova lei

Desde terça-feira – 19 de junho – uma nova lei que disciplina a prestação de serviços de ativos virtuais no Brasil vigora no país.

Além das novas diretrizes, a lei também trouxe uma alteração no Código Penal Brasileiro:

Art. 171-A – Organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações que envolvam ativos virtuais, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o fim de obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzido ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”.

Na prática, a mudança torna pena para estelionato financeiro no mundo virtual mais duras. Antes, o crime de estelionato garantia pena de um a cinco anos de reclusão. Agora, o Código Penal prevê pena de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa para quem cometer o crime, como explica o delegado:

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