Aspirante a oficial da PM é mantida em curso após causar acidente bêbada

Cadete da Polícia Militar chegou a ser presa após colidir em uma caminhonete, no Jardim Veraneio, em Campo Grande

A Corregedoria da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) manteve no COF (Curso de Formação de Oficiais) uma aspirante a oficial que havia sido expulsa após ser presa por causar um acidente de trânsito, em Campo Grande. Na ocasião, conforme os próprios colegas policiais, a cadete Diana Laura Silva de Queiroz dirigia sob efeito de álcool.

WhatsApp Image 2023 08 02 at 19.54.58
Fachada da corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. (Foto: Adriano Fernandes)

O acidente ocorreu no dia 26 de novembro de 2022, no Jardim Veraneio. Segundo boletim de ocorrência sobre o caso, a cadete seguia pela avenida Carlinda Pereira Contar quando colidiu em uma caminhonete Amarok que seguia no sentido contrário.

O motorista do outro veículo, de 34 anos, foi submetido a teste de alcoolemia, que apresentou resultado negativo para a presença de álcool no organismo. Já a policial se recusou a fazer o teste, mesmo apresentando sinais aparentes de embriaguez, conforme o registro policial.

Segundo o relato dos militares, a cadete apresentava “odor etílico, exaltação na fala e fala pastosa”. Diante da negativa da cadete, os policiais que atenderam a ocorrência registraram o teste de recusa e o TCE (Termo de Constatação de Embriaguez) da militar.

Diana foi autuada em flagrante na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro por conduzir veículo sob efeito de álcool. A policial deixou a prisão horas depois do acidente e após pagar fiança de R$ 1.212.

Leia mais

  1. Policial preso por estupro em Campo Grande é afastado do Bope

Por conta da batida, Diana ainda foi considerada incapaz de continuar na formação para ser oficial da Polícia Militar.

Argumentando que a conduta da cadete Diana afrontava de “maneira insuperável aos ditames que regem a carreira de oficial da Polícia Militar”, o comando da Academia, chefiada pelo coronel Franco Alan da Silva Amorim, declarou que a policial era “incapaz” de permanecer no curso de formação de militares.

“Diante de fatos tão graves e que atentaram de forma tão evidente aos valores e aos pilares institucionais, é inconcebível que a acusada seja mantida no Curso de Formação de Oficiais, pois afronta os preceitos mais basilares da Instituição, constituindo um desrespeito com a sociedade, visto que a Polícia Militar estaria referendando um oficial sem as qualidades que a própria lei exige”, pontuou a decisão do dia 1º de junho, a qual o Primeira Página teve acesso.

Diante da expulsão, a defesa da Policial Militar entrou com um recurso na corregedoria da corporação, pedindo a reconsideração do ato. Ao analisar o pedido, o diretor de Ensino, Instrução e Pesquisa da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Massilon de Oliveira e Silva Neto, elencou uma série de argumentos para corroborar que a cadete merecia uma punição mais branda.

No entendimento do coronel, apesar do acidente, “Diana não fugiu de suas responsabilidades, arcou com as consequências e com o prejuízo causado a terceiro, não utilizou em nenhum momento sua condição de Aluna Oficial PM para tentar influir ou modificar qualquer procedimento administrativo relativo ao sinistro de trânsito e cumpriu todas as determinações que lhe foram dadas”.

O coronel argumentou que a inexistência de transgressão por parte da cadete também ficou comprovada pelo próprio encarregado da sindicância aberta pela Polícia Militar.

Massilon de Oliveira ainda classificou como “extrema”, desproporcional e exacerbada” a decisão do Comandante da Academia de Polícia Militar de expulsar a aluna do curso de formação.

Ainda segundo o diretor de ensino da PMMS o acidente envolvendo a policial foi um “fato único” na carreira da Policial Militar que, em 15 anos de serviço, nunca havia sofrido nenhum episódio que desabonasse a boa conduta disciplinar dela.

“Para efeito de justiça da decisão, cabe ressaltar, a extrema gravidade da reprimenda aplicada Cadete PM Diana em face do ocorrido – desligamento do CFO – a qual, além de não considerar sua carreira exemplar e bons antecedentes, soa severa em demasia, contrariando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (Art. 37, CF/1988)”, cita o coronel.

Por fim, o coronel reconheceu a infração da cadete como leve, determinando que Diana sofra apenas uma advertência e volte a estar apta para assumir o curso de formação. A decisão é do dia 31 de julho.

À reportagem, a PM confirmou que a policial segue em formação, em Campo Grande, “aguardando o resultado final dos procedimentos administrativos instaurados”. Tentamos contato com a policial, mas sem sucesso.

A defesa dela não quis se manifestar.

(CORREÇÃO: o Primeira Página errou ao afirmar que a policial só deixou a prisão quatro dias depois do acidente. Na verdade, ela deixou a prisão horas depois do acidente e após pagar fiança de R$ 1.212. O erro foi corrigido em 16/08/2023, às 11:42)

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.

Leia também em Segurança!

  1. Viatura do Batalhão de Polícia Militar de Choque da PMMS. (Foto: Divulgação/PMMS)

    Foragido do sistema prisional morre em confronto com o Choque em MS

    Foragido do sistema prisional morreu em confronto com o Choque em Campo...

  2. Petrônio e Glaucia foram identificados como as vítimas do acidente na BR-163. - Foto: Reprodução

    Casal é identificado como vítima de acidente fatal na BR-163

    Petrônio Araújo Muniz e Glaucia Leobino Costa Muniz foram identificados como as...

  3. primeira pagina 2026 07 13T170007.490

    Câmera flagra fuga de suspeito de sequestro de mulheres por telhados e muros em Cuiabá; veja

    Câmera de segurança registrou o momento em que um dos suspeitos de...

  4. Imagem de drone mostra o prédio do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul). (Foto: TV Morena)

    Defesa vai pedir acesso a inquérito e diz que técnico acusado de estupro no HR é inocente

    Defesa do técnico investigado por estupro no Hospital Regional de MS afirma...