Polícia indicia investigador que matou PM em conveniência em Cuiabá

O crime foi registrado na madrugada de 27 de abril em uma conveniência de um posto de combustíveis, ao lado da Praça 08 de Abril, em Cuiabá

A Polícia Civil indiciou o investigador Mario Wilson Vieira, pelo homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima contra o cabo da Polícia Militar, Thiago de Souza Ruiz, de 36 anos.

O inquérito policial deve ser concluído nesta sexta-feira (5), faltando alguns laudos periciais para finalização dos trabalhos, que serão juntados assim que disponibilizados.

O crime foi registrado na madrugada de 27 de abril em uma conveniência de um posto de combustíveis, ao lado da Praça 08 de Abril, em Cuiabá.

As investigações sobre o caso foram iniciadas ainda na madrugada, quando as equipes da DHPP e da Corregedoria foram acionadas, por volta de 03h30.

A vítima foi socorrida e encaminhada a um hospital particular na região, onde foram realizados procedimentos de reanimação, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu.

O policial civil se apresentou e foi interrogado pelos delegados André Eduardo Ribeiro e Marcel Gomes Oliveira, da DHPP, e pelo delegado-corregedor, Guilherme Fachinelli.

Mário Wilson teve a prisão em flagrante convertida em preventiva por decisão do juiz Geraldo Fidelis, do Núcleo de Audiências de Custódia de Cuiabá.

O magistrado considerou que há risco a ordem pública. Além disso, determinou que o investigador fosse transferido à unidade prisional de Chapada dos Guimarães, a 64 km de Cuiabá.

Início da confusão

Conforme os depoimentos, eles se conheceram no dia do crime e passaram a praticar uma espécie de disputa referente à profissão. As testemunhas afirmam que Mário Wilson passou a menosprezar a vítima, não dando crédido ao fato de ele também ser policial.

investigador mata pm
Investigador atira em cabo da PM

“Eu sou policial, em uma situação de confronto, eu passaria por cima de qualquer um, eu não consideraria amizade, passaria por cima de qualquer um”. Essa frase teria sido dita pelo atirador, conforme uma das testemunhas.

A vítima teria dito: “Isso não se faz. Também sou policial, também estou armado. Você não sabe o que posso fazer, minha reação, mas está tudo tranquilo”. Outra testemunha disse que ouviu Mário Wilson dizer: “Você não é polícia b* nenhuma”.

O crime aconteceu na madrugada dessa quarta-feira (2) na conveniência de um posto de combustíveis, próximo ao Restaurante Choppão, em Cuiabá.

O que disse o atirador

Em depoimento, o investigador de polícia Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves disse que não lembra de ter sido apresentado a Thiago, e que havia amigos em comum e por isso estavam bebendo juntos.

Ele negou que tenha menosprezado o PM e diz também que não duvidou que a vítima fosse policial.

No depoimento, ele diz que se lembra de Thiago ter levantado a camiseta mostrando uma cicatriz e deixando a arma a vista.

“Que neste momento tomou a arma da vítima e sacou a sua também, não se recordando do que falou”. Ele afirma que guardou sua arma de volta e, neste momento, Thiago teria tentado pegar a arma de volta, quando ocorreu os disparos.

Ele diz ainda que após matar Thiago, saiu de carro e ligou para um delegado que é seu superior direto e contou o que tinha acontecido e que queria se apresentar. O depoimento e a prisão ocorreram algumas horas após o crime.

Funcionário conta outra versão

Entre os depoimentos, uma testemunha afirma ainda que após os disparos, e o ambiente estar desocupado, percebeu que próximo a mesa onde eles estavam, havia um pó branco, aparentando ser droga, mas que não viu ninguém fazendo uso.

Conforme um funcionário da conveniência, a vítima chegou com um outro homem ao local por volta de 2h30. Após alguns minutos, chegou Mário Wilson com outro homem, e os quatro ficaram conversando na mesa.

A testemunha afirma que viu o momento em que a vítima e o atirador foram apresentados e ficaram conversando, mas logo “se estranharam”.

Conforme o funcionário, um dos homens que estava na mesa tentou apaziguar o clima, mas eles continuaram se desentendendo.

Passados alguns minutos, esse homem saiu para fumar um cigarro na parte de fora, ficando no interior da conveniência a vítima, Mário e o outro homem que os acompanhava.

Em um determinado momento, um cliente também interviu e teria tentado acalmar os ânimos dizendo: “Vamos trocar de assunto, já se resolveu isso ai. Vocês são todos colegas de trabalho”, e saiu do local em seguida.

No momento seguinte, a testemunha disse que viu Mário tomando a arma da vítima, eles entrarem em luta e, em seguida, os disparos.

Thiago chegou a ser socorrido e levado a um hospital particular de Cuiabá, mas morreu às 4h50. Mário Wilson responde por homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima.

A prisão

O atirador passou por audiência de custódia no dia 28. O juiz Geraldo Fidélis, do Núcleo de Audiências de Custódia de Cuiabá, decidiu converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, considerando o risco social do policial.

Também determinou que ele seja transferido para a unidade prisional em Chapada dos Guimarães, a 65 m de Cuiabá.

A reportagem procurou seu advogado, Ricardo Monteiro, mas ele não respondeu e nem retornou às ligações..

O advogado de defesa da família do policial militar, Rodrigo Pouso, disse que o policial agiu com muita brutalidade e falta de preparo.

Segundo o advogado, eles se conheceram naquele dia, estavam conversando, e o PM levantou a camiseta para mostrar uma cicatriz.

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