Polícia invade reality em Mato Grosso à procura de influenciador suspeito de tráfico
Anderson Matias Nascimento, o Maninho, é apontado pela Polícia Civil como integrante de uma quadrilha investigada por tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil invadiu, nessa quarta-feira (17), uma casa em Santo Antônio de Leverger (MT) à procura do influenciador digital Anderson Matias Nascimento, conhecido nas redes sociais como Maninho, suspeito de integrar uma quadrilha criminosa atuante no tráfico de drogas em Cuiabá e Várzea Grande.
O influenciador participava do reality show Império da Valkíria, promovido pela influenciadora digital Valkíria Brandão e transmitido apenas pelas redes sociais. A ação fez parte do cumprimento de mandados da Operação Throw, na qual foram deflagrados 18 de prisão preventiva e 12 foram cumpridos.

Ao portal Primeira Página, o delegado da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), responsável pelo caso, Wilson Cibulskis, confirmou que Maninho está foragido. Além de influenciador, Maninho se apresenta também como barbeiro.
Pelo Instagram, ele divulgou uma nota afirmando não ser o verdadeiro alvo da ação e que sua defesa “está adotando as medidas necessárias para obtenção de acesso aos autos e esclarecimento integral dos fatos”.

O cumprimento do mandado
Equipes da Polícia Civil foram até o local onde ocorria o reality Império da Valkíria, transmitido apenas pelas redes sociais de Valkíria Brandão. A competição é no estilo do Rancho do Carlinhos Maia. Todos os integrantes são influenciadores ou criadores de conteúdo digital.
A ação policial ocorreu na final do reality que teve como campeã Ariel Deyli. Após o encerramento, a organizadora do evento, Valkíria Brandão, publicou um vídeo dizendo que irá se manifestar sobre o ocorrido. No entanto, ela alegou que houve abuso na abordagem policial e que usará as imagens das câmeras de segurança como prova.
A operação
As investigações da Delegacia de Repressão a Narcóticos começaram em julho de 2023, após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em uma chácara no bairro Sol Nascente, em Cuiabá.
Na ocasião, dois suspeitos foram presos e os policiais encontraram cerca de 100 quilos de maconha enterrados em barris plásticos nos fundos da propriedade. A partir das prisões, a Polícia Civil identificou outros integrantes da organização criminosa e passou a mapear a estrutura do grupo, que também é investigado por lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Civil, a quadrilha atuava no tráfico interestadual de drogas, enviando e recebendo entorpecentes de outros estados em remessas semanais de cinco a dez quilos. As apurações apontaram uma divisão de funções entre os investigados, incluindo liderança, controle disciplinar, logística, transporte e distribuição das drogas.
Os policiais também identificaram o uso de contas bancárias de terceiros e de três empresas de fachada para ocultar recursos obtidos com o tráfico. O material reunido ao longo das investigações embasou os pedidos judiciais cumpridos na Operação Throw.
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