Policiais penais e detentos são investigados por venda de celulares em presídio de MT
Investigação aponta que os policiais cobravam entre R$ 400 e R$ 800 por aparelho e chegavam a introduzir até oito celulares de uma única vez.
Seis pessoas, entre elas dois policiais penais, detentos e a esposa de um dos presos, foram alvo da Operação Via Paralela, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (27). A ação tem como objetivo desarticular um esquema estruturado de entrada e venda ilegal de celulares dentro do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, em Várzea Grande.
Ao todo, são cumpridas 10 ordens judiciais, sendo seis mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão domiciliar, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá.

As investigações começaram durante ações de combate a facções criminosas no sistema prisional. Durante os levantamentos, a Polícia Civil identificou um esquema considerado organizado e contínuo de introdução e comercialização clandestina de celulares na unidade.
De acordo com a apuração, policiais penais se aproveitavam da facilidade de acesso ao presídio para levar os celulares até os detentos que haviam adquirido os aparelhos.
Um dos reeducandos exercia papel de coordenador das atividades ilícitas dentro da unidade. Ele organizava a venda interna dos celulares entre os presos e também era responsável por garantir o repasse do dinheiro aos servidores envolvidos.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, os policiais penais buscavam os aparelhos com um fornecedor nos dias de folga. Depois, já dentro do presídio, escondiam os celulares em pontos estratégicos previamente combinados.
Outro detento, que tinha livre circulação em determinados espaços da unidade, recolhia os aparelhos e os entregava aos compradores. Os policiais cobravam entre R$ 400 e R$ 800 por aparelho e chegavam a introduzir até oito celulares de uma única vez, segundo a Polícia Civil.
As investigações seguem em andamentos para reunir novas provas e identificar outros possíveis envolvidos.
A Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT), por meio da Corregedoria-Geral, informou que acompanha o cumprimento dos mandados judiciais relacionados aos policiais penais investigados. A Corregedoria também declarou que adotará todas as providências administrativas cabíveis diante das condutas apuradas.

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