Professora morta em Cuiabá tinha audiência para cobrar mais proteção marcada para esta 4ª

Luciene Naves Correia, de 51 anos, tinha medida protetiva contra o ex-marido e buscava acompanhamento na Defensoria Pública quando foi assassinada dentro de casa, em Cuiabá.

A professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada pelo ex-marido na segunda-feira (16), em Cuiabá, tinha uma entrevista agendada para esta quarta-feira (18) na Defensoria Pública de Mato Grosso. O atendimento fazia parte do acompanhamento das medidas de proteção e do conflito judicial envolvendo o ex-companheiro. No dia 23, também estava prevista uma audiência de conciliação relacionada ao caso.

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Luciene, de 51 anos, foi morta pelo ex-marido dentro de casa, em Cuiabá – Foto: Reprodução

A informação foi confirmada pelas filhas da vítima, que relataram que a mãe vinha buscando apoio jurídico para reforçar as medidas de proteção contra o agressor.

Luciene foi morta dentro de casa, no bairro Osmar Cabral, após o ex-marido invadir o imóvel nas primeiras horas da manhã. Segundo a Polícia Militar, ele teria pulado o muro, desligado o padrão de energia elétrica da residência e esperado a vítima no portão. A professora foi atingida por dois disparos no tórax.

O suspeito, Paulo Neves Bispo, morreu após ser baleado por um policial à paisana durante perseguição, quando, de acordo com a polícia, seguia em direção à casa da filha mais velha.

Filhas de Luciene Naves Correia afirmam que a mãe pediu ajuda, denunciou ameaças e acionou o botão do pânico antes do crime. - Foto: TVCA
Filhas de Luciene Naves Correia afirmam que a mãe pediu ajuda, denunciou ameaças e acionou o botão do pânico antes do crime. – Foto: TVCA

“A gente buscou ajuda”

Segundo elas, a família insistiu para que Luciene solicitasse medida protetiva. Emmily Naves Correia Gonçalves, estagiária e filha da professora, contou que estava com a mãe no dia em que o botão do pânico foi acionado.

Ela afirma que a polícia foi até o local em algumas ocasiões, mas que o suspeito não foi preso. Segundo os relatos recebidos pela família, ele só poderia ser detido em caso de flagrante.

Ainda conforme Emmily, em uma ocasião anterior, o ex-marido teria desligado a energia da casa, da mesma forma que fez no dia do crime, para forçar Luciene a sair da residência.

As filhas também relataram que, um dia antes do assassinato, o suspeito teria pedido para sair com o neto. “Se a gente tivesse deixado, o que ele teria feito?”, questionou uma delas.

Vítima buscava reforçar proteção

De acordo com a família, o encontro marcado na Defensoria Pública nesta quarta-feira fazia parte das tentativas de reforçar a proteção judicial. A audiência prevista para o dia 23 trataria de questões relacionadas ao conflito entre o casal.

A morte ocorreu antes que essas etapas fossem concluídas.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública, 21.346 medidas protetivas foram concedidas em Mato Grosso em 2025. Em 2026, já são mais de duas mil decisões desse tipo registradas.

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