Quais escorpiões são perigosos? Saiba como diferenciar espécies brasileiras

Embora todos sejam peçonhentos, apenas algumas espécies representam risco real à saúde humana

O Brasil abriga uma das faunas de escorpiões mais diversas do mundo. Embora todos sejam peçonhentos, popularmente chamados de “venenosos”, apenas algumas espécies representam risco real à saúde humana. Para suas presas, no entanto, o veneno é sempre fatal.

Escorpiões: (Tityus bahiensis)
Escorpião-marrom (Tityus bahiensis) (Foto: Reprodução/ Instituto Butantan)

Na maioria dos casos, a picada em adultos provoca dor intensa, semelhante a uma ferroada de abelha, sem risco de morte. Ainda assim, crianças, idosos e pessoas alérgicas formam o grupo mais vulnerável.

Por isso, especialistas recomendam que toda vítima de picada de escorpião procure atendimento médico imediatamente, mesmo que os sintomas pareçam leves.

Em Mato Grosso do Sul, os acidentes com escorpiões vêm crescendo. Dados da Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica do Estado apontam que, de janeiro a novembro de 2025, foram registrados 5.551 casos, um aumento de 14% em relação a todo o ano de 2024, que contabilizou 4.838 ocorrências.

Quais escorpiões são perigosos?

Segundo o Instituto Butantan, os escorpiões mais perigosos costumam ser pequenos, medindo entre 5 e 7 centímetros. A exceção é o escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus), que pode atingir até 9 centímetros.

Existem famílias consideradas inofensivas ou que causam apenas acidentes leves, como:

  • Bothriuridae: escorpiões pequenos, presentes no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste;
  • Chactidae: de coloração escura e tamanho variado, comuns na Amazônia;
  • Hormuridae: escorpiões grandes e escuros, encontrados em áreas do Centro-Oeste e da Amazônia, com poucos registros de acidentes graves.

Já a família Buthidae, presente em todo o país, concentra cerca de 60% das espécies brasileiras e inclui o gênero Tityus, considerado o mais perigoso do Brasil.

Espécies de maior risco à saúde

Quatro espécies do gênero Tityus são consideradas de interesse em saúde pública, por poderem provocar acidentes graves:

Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus)

Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus)
Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) (Foto: Reprodução/ Instituto Butantan)

É a espécie que mais causa acidentes no Brasil, principalmente em crianças. Mede até 7 cm, tem pernas e cauda amarelo-claras, tronco marrom-escuro e apresenta uma serrilha no 3º e 4º segmentos da cauda, característica que dá nome à espécie. De acordo com a Fiocruz, é o escorpião mais peçonhento da América Latina.

Está presente em estados como MS, SP, MG, PR, RJ, BA, DF, entre outros.

Escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus)

Escorpião amarelo do Nordeste (Tityus Stigmurus)
Escorpião amarelo do Nordeste (Tityus Stigmurus) (Foto: Reprodução/ Instituto Butantan)

Também perigoso, possui coloração amarelo-clara, uma faixa escura no dorso e uma mancha triangular próxima aos olhos. A serrilha da cauda é menos evidente.

Embora seja típico do Nordeste, já há registros em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, devido à adaptação da espécie a novos ambientes.

Escorpião-marrom (Tityus bahiensis)

Escorpião-marrom (Tityus bahiensis) (Foto: Reprodução/ Instituto Butantan)
Escorpião-marrom (Tityus bahiensis) (Foto: Reprodução/ Instituto Butantan)

Com até 7 cm de comprimento, apresenta coloração marrom, tronco escuro, pernas manchadas e cauda marrom-avermelhada.

Diferente do escorpião-amarelo, não possui serrilha na cauda. É comum em Mato Grosso do Sul e em diversos estados do Sudeste e Sul.

Escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus)

Escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus)
Escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus) (Foto: Reprodução/ Instituto Butantan)

Quando adulto, é preto e pode chegar a 9 cm. Na fase jovem, tem coloração castanha com manchas escuras.

Essa espécie ocorre exclusivamente na região Norte do país, nos estados do Amapá e Pará.

Reprodução acelera a infestação

Uma característica que contribui para a rápida proliferação de algumas espécies, como Tityus serrulatus e Tityus stigmurus, é a reprodução por partenogênese. Nesses casos, as fêmeas não precisam de machos para se reproduzir.

Cada ciclo pode gerar cerca de 20 filhotes, que em aproximadamente dez meses já estão aptos a se reproduzir, acelerando o crescimento da população.

Como prevenir acidentes com escorpiões

Os acidentes tendem a aumentar no verão, mas muitas ocorrências podem ser evitadas com medidas simples de prevenção:

  • Não acumular lixo ou entulho;
  • Manter terrenos baldios limpos;
  • Vedar frestas, buracos em paredes, portas e janelas;
  • Instalar telas em ralos;
  • Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los;
  • Evitar colocar as mãos em buracos, pedras e troncos;
  • Usar luvas e calçados grossos em atividades de jardinagem.

Em caso de picada, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde e evitar qualquer tipo de automedicação.

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