R$ 200 mil e arma da PM: MP revela detalhes da morte do advogado Renato Nery

Os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira foram denunciados pelo MPMT; conforme a denúncia, eles atuaram como intermediadores do crime

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) apresentou denúncia à Justiça contra os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira pela participação no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, ocorrido no dia 5 de julho de 2024, em Cuiabá.

Além dos policiais, a empresária Julinere Goulart Bentos e o produtor rural Cesar Jorge Sechi também foram denunciados. De acordo com o MP, eles agiram como mentores intelectuais e financiadores da morte de Nery.

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Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Natan Ferreira foram denunciados pela morte do advogado de Renato Nery. (Foto: Reprodução)

O crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras no município de Novo São Joaquim, a 493 km de Cuiabá e um bloqueio judicial de R$ 2,3 milhões que favoreceu a vítima.

A denúncia, oferecida por quatro promotores do Núcleo de Defesa da Vida da capital, descreve um esquema criminoso complexo, com divisão de tarefas entre mandantes, intermediários e executores, no qual os dois policiais atuaram com destaque.

O homicídio foi cometido em plena luz do dia, por volta das 9h, na porta do escritório do advogado, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa.

Pagamento de R$ 200 mil e execução com arma da PM

Segundo o MPE, os denunciados agiram mediante promessa de pagamento de R$ 200 mil ao executor do crime, Alex Roberto de Queiroz Silva, e utilizaram arma oficial da Polícia Militar de Mato Grosso, desviada do Batalhão ROTAM.

A execução foi feita com uma pistola Glock adaptada para disparos em rajada, o que ampliou o risco para terceiros em via pública.

O policial Jackson foi apontado como intermediário principal, responsável por repassar o endereço da vítima, coordenar reuniões em Primavera do Leste (239 km da capital) e intermediar o pagamento. Já Ícaro teria fornecido a arma do crime e repassado parte do valor ao executor.

Fraude processual e tentativa de obstrução

A denúncia aponta ainda que, após o crime, os denunciados participaram de uma operação de encobrimento da autoria, simulando um confronto policial no qual a arma do homicídio foi “encontrada” dias depois, numa tentativa de afastar a responsabilidade da corporação.

O MPE também revelou tentativas dos policiais de obstruir as investigações, apagar rastros digitais e manipular provas. Jackson, por exemplo, teria trocado mensagens com advogados envolvidos na trama antes de buscas da polícia. Ícaro escondeu o celular durante atendimento médico, sendo flagrado por câmeras de segurança.

Qualificadoras e organização criminosa

Os dois são denunciados por homicídio qualificado (motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum), fraude processual, abuso de autoridade e por integrarem organização criminosa.

A promotoria requer que ambos sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri e que paguem indenização mínima de 40 salários-mínimos por danos à família da vítima.

A denúncia reforça que o assassinato ocorreu poucos dias após Renato ter apresentado denúncias à OAB-MT contra supostos esquemas envolvendo um “escritório do crime” e membros do Judiciário. A representação foi anexada a um processo público quatro dias antes de sua morte.

O caso agora segue sob análise da 14ª Vara Criminal de Cuiabá. Jackson e Ícaro estão presos preventivamente e já foram denunciados pelo MPE no âmbito da “Simulacrum”, operação que investiga o uso de estruturas policiais para confrontos forjados e execuções no Estado.

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