Região da TI Sararé ganha base de segurança permanente contra garimpo ilegal e facções
Estrutura de R$ 2,1 milhões dará apoio a operações policiais e ambientais em uma das áreas mais pressionadas pelo garimpo ilegal em Mato Grosso.
A região da Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, passa a contar, a partir desta sexta-feira (11), com uma base permanente para apoiar operações contra o garimpo ilegal, facções criminosas e outros crimes registrados no entorno do território indígena.
A Base Integrada de Segurança Pública Sararé foi instalada em um ponto estratégico de acesso à terra indígena e recebeu investimento de R$ 2,1 milhões, por meio de parceria entre o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual.
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a estrutura conta com alojamento, sistema de comunicação e outros espaços necessários para receber equipes durante operações integradas.

A unidade deverá servir de apoio às forças de segurança estaduais e federais, além de órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção ambiental.
O planejamento prevê o revezamento de equipes no local, ampliando a presença dos agentes na região. Além das ações contra a extração ilegal de ouro e organizações criminosas, a base deverá auxiliar na prevenção e repressão de homicídios, roubos e tráfico de drogas no entorno da Sararé.
Por que uma base permanente na Sararé?
A instalação ocorre após anos de avanço do garimpo ilegal e de episódios de violência na Terra Indígena Sararé, território do povo Nambikwara.
Em agosto do ano passado indígenas relataram que convivem com ameaças permanente de garimpeiros, contaminação dos rios por mercúrio e avanço da devastação ambiental. À época, a Polícia Civil estimava que pelo menos 60 assassinatos haviam ocorrido desde 2023 em meio às disputas pelo controle da exploração ilegal de ouro.

O crescimento da atividade também abriu espaço para organizações criminosas. Investigações apontaram que o Comando Vermelho passou a atuar na região inicialmente oferecendo segurança armada aos garimpeiros e depois assumiu o controle de áreas de mineração ilegal. Em uma delas, uma estrutura semelhante a uma pequena cidade chegou a reunir mais de 2 mil pessoas. A TI também tinha 1.117 pontos de garimpo identificados.
A resistência às fiscalizações também se tornou mais violenta. Em setembro de 2025, garimpeiros armados com fuzis chegaram a atirar contra policiais federais durante uma operação de retirada de invasores e destruição de equipamentos usados na mineração clandestina.
As sucessivas operações retiraram pessoas, destruíram máquinas, túneis e acampamentos e provocaram prejuízos milionários à atividade ilegal. Ainda assim, o problema persiste.

Até agosto deste ano, a Sararé acumulava 4,9 mil hectares de desmatamento e foi a terra indígena com maior área sob alertas de mineração em 2024 e 2025. Somente em 2025, foram 1.463 hectares desmatados, segundo dados do Prodes/Inpe citados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
O mesmo levantamento apontou uma das principais dificuldades enfrentadas pelas autoridades: garimpeiros retornavam ao território após o encerramento das operações e a saída das equipes de fiscalização.
Os acessos terrestres facilitavam a retomada da exploração ilegal. Diante disso, lideranças indígenas já reivindicavam a instalação de bases fixas em pontos estratégicos, com presença contínua das forças de segurança.
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