Secretário de Acorizal está entre investigados por fraude de R$ 21 milhões a banco

A 'Operação Dígito 8' cumpriu prisões e buscas por um grupo criminoso investigado por fraudar cerca de R$ 21 milhões em pagamentos de guias do Banco do Brasil

Sete pessoas foram presas e 19 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, na manhã desta quinta-feira (18), durante a ‘Operação Dígito 8’, da Polícia Civil, contra um grupo suspeito de adulterar códigos de PIX e fraudar pagamentos de guias de arrecadação.

O secretário de Finanças da Prefeitura de Acorizal, a 59 km de Cuiabá, está entre os alvos da investigação, que apura o prejuízo de R$ 21 milhões de reais ao Banco do Brasil. Por meio de nota, a Prefeitura de Acorizal informou que o município é vítima da ação de criminosos e está à disposição para colaborar com as investigações.

Delegado Eduardo Dal Fabbro fala sobre a Operação Dígito 8. (Vídeo: Polícia Civil)

Esquema de fraudes

Segundo as investigações, o grupo criminoso inseria códigos de barras de guias de pagamento válidas, mas adulteravam o QR Code de PIX para valores significativamente menores.

Dentre as ações criminosas, estavam os pagamentos de guias de R$ 5 milhões, que acabavam sendo quitadas pelo valor de R$ 0,30 centavos, como explicou o delegado adjunto da DERCC (Delegacia de Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos), Eduardo Dal Fabbro.

As fraudes teriam sido realizadas entre os dias 7 e 31 de janeiro do ano passado, conforme a Polícia Civil.

Mandados de prisão e buscas foram cumpridos em Mato Grosso e mais oito Estados, além do Distrito Federal. (Foto: Polícia Civil)
Mandados de prisão e buscas foram cumpridos em Mato Grosso e mais oito Estados, além do Distrito Federal. (Foto: Polícia Civil)

Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e em nove Estados – dentre eles, Mato Grosso. Ainda de acordo com a polícia, sete pessoas foram presas e três estão foragidas.

Veja abaixo os locais de ação policial:

  • São Paulo
  • Rio de Janeiro;
  • Mato Grosso;
  • Santa Catarina;
  • Minas Gerais;
  • Bahia;
  • Maranhão;
  • Amapá;
  • Goiás.

As 4 partes do esquema

O esquema investigado era dividido em quatro partes, conforme apuraram os investigadores. Primeiro, o Núcleo Operacional explorava a vulnerabilidade e efetuava os pagamentos.

Depois, o Núcleo de Prefeituras emitia as guias fraudulentas e repassava as verbas. As prefeituras de Morros (MA), Ubaitaba (BA), Serra do Navio (AP), Jacinto (MG), e Acorizal (MT) estiveram envolvidas, segundo a PJC.

A terceira parte era o Núcleo de Intermediadores, responsável por facilitar a comunicação entre o núcleo operacional e as prefeituras. Por fim, o Núcleo Financeiro utilizava empresas para permitir a retirada dos recursos ilícitos das contas das prefeituras.

A partir das fraudes, os criminosos ostentavam carros de luxo e viagens para destinos luxuosos, conforme a Polícia Civil.

Secretário de Acorizal

O secretário de Finanças da Prefeitura de Acorizal está entre os investigados. Durante mandado de busca e apreensão cumprido na casa dele, nesta quinta-feira, a polícia encontrou um revólver calibre 22, com oito munições intactas, dentro do guarda-roupas.

Além disso, seis munições calibre 38 e uma calibre 50 foram apreendidas em uma cômoda em outro quarto da casa do secretário.

Secretário de Finanças de Acorizal está entre os investigados de fraudar R$ 21 milhões do Banco do Brasil. (Foto: Polícia Civil)
Secretário de Finanças de Acorizal está entre os investigados de fraudar R$ 21 milhões do Banco do Brasil. (Foto: Polícia Civil)

Os alvos podem responder por crimes como invasão de dispositivo eletrônico, furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Se condenados, eles podem ser condenados a mais de 20 anos de prisão.

O que diz Acorizal

Por meio de nota, a Prefeitura de Acorizal informou que o município é uma vítima e que não há qualquer acusação de corrupção contra nenhum servidor. Destacou ainda que um servidor foi apenas intimado para prestar informações sobre a suposta fraude ou golpe aplicado por esta quadrilha contra o município.

A gestão informou ainda que tomou medidas imediatas ao buscar as autoridades policiais e comunicar os fatos ocorridos por meio de boletim de ocorrência.

O município se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações para que a verdade seja apurada, e os responsáveis sejam devidamente denunciados e punidos conforme a legislação vigente.

O que diz o Banco do Brasil

O Primeira Página procurou o Banco do Brasil para falar sobre o assunto. Por meio de nota, a entidade informou que foi vítima do esquema de fraudes e apoiou as investigações.

Veja abaixo a nota na integra:

“O Banco do Brasil informa que as investigações iniciaram a partir de apuração interna que detectou irregularidades as quais foram comunicadas às autoridades policiais. O Banco do Brasil colabora com as autoridades na investigação de fraudes com o repasse de subsídios no seu âmbito de atuação e possui processos estabelecidos para  apuração de fraudes contra a instituição”

Nome da Operação

O nome da ‘Operação Dígito 8’ faz referência à espécie de guia utilizada pelos criminosos para
subtrair dinheiro de uma grande instituição financeira, através de um esquema de fraudes
em pagamentos de guias de arrecadação via QR Code PIX, explorando uma vulnerabilidade do
sistema bancário.

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