Sequestro em Sorriso: 3 investigados por tortura e ameaça a bebê ganham liberdade
Trio havia sido preso após ataque que deixou família e bebê de 28 dias feridos; decisões judiciais apontaram falta de indícios mínimos para manter duas das prisões
Três dos sete investigados por sequestro e tortura de uma família e um bebê de apenas 28 dias em Sorriso, já estão em liberdade. Entre eles estão Lara Fábia Ribeiro de Oliveira, apontada como suposta mandante do crime, e os comparsas do crime, Guilherme de Almeida Iung e Felipe Estevam Cenci. Todos haviam sido presos no dia 24 de julho, durante a operação que deteve o grupo envolvido no ataque.
Na ocasião, foram presos Anderley Vieira da Silva, Cleomar Aparecido, Atilla Jeremias de Sousa e Valmir de Oliveira — pai de Lara — além da própria Lara Fábia, Guilherme de Almeida Iung e Felipe Estevam Cenci. Destes, Lara, Guilherme e Felipe já estão em liberdade, enquanto os demais seguem presos.

Na análise do desembargador Juvenal Pereira da Silva, Lara não poderia ser tratada da mesma forma que Felipe Cenci e Guilherme Iung porque respondia a uma acusação extra de roubo majorado, inexistente para os demais. Apesar disso, a empresária foi solta no último dia 11, após decisão da 1ª Vara Criminal de Sorriso, assinada pelo juiz Rafael Depra Panichella, que revogou a prisão preventiva e aplicou medidas cautelares.
Entre as obrigações impostas a Lara estão:
- restrição para deixar a comarca por mais de 15 dias sem autorização judicial.
- comparecimento mensal em juízo para justificar atividades e atualizar endereço;
- recolhimento domiciliar noturno, das 22h às 6h, além de finais de semana e feriados;
- proibição de contato com as vítimas e demais investigados;
- proibição de frequentar bares ou estabelecimentos similares;
Segundo a denúncia das vítimas, Lara, mandante do crime, responde por uma lista extensa de crimes, incluindo: lesão corporal, cárcere privado, tentativa de homicídio qualificado, adulteração de veículo, coação no curso do processo, porte e posse irregular de arma de fogo.
Conforme o documento, em relação aos demais investigados, o juiz entendeu que a manutenção da prisão ainda é necessária diante da violência empregada, do risco à ordem pública e da possibilidade de interferência na investigação, apontando que o grupo teria agido de forma organizada e com extrema violência, inclusive contra um bebê recém-nascido.
Na decisão, o juiz destacou a gravidade dos delitos, o fato de ter muitas vítimas, dentre elas um bebê recém-nascido, além da periculosidade dos agentes envolvidos. Para ele, ainda existem indícios veementes de autoria e um claro risco à ordem pública, justificando a manutenção da prisão dos demais investigados.
Relembre o crime
Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada depois que três adultos e um bebê de apenas 28 dias deram entrada na UPA de Sorriso. As vítimas relataram que haviam sido sequestradas, agredidas, torturadas e ameaçadas de morte por um grupo de pessoas.

As investigações indicam que o crime teria sido motivado por vingança. Segundo a polícia, o ataque foi uma retaliação por causa de uma ação trabalhista movida por uma das vítimas — uma ex-funcionária de Lara que ganhou o processo e, desde então, vinha recebendo ameaças. Em depoimento, as vítimas relataram que o grupo chegou a ameaçar “colocar fogo no bebê” para forçar a mãe a desistir da ação.
Sete pessoas foram presas, entre elas o namorado e o pai de Lara. A polícia apreendeu um revólver calibre 38, uma pistola calibre 380, munições, sete celulares e placas veiculares.
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