Successione: família de Neno Razuk é alvo de operação do Gaeco
Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em dinheiro, armas, munições e máquinas de cartão
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra O Crime Organizado) deflagrou a 4ª fase da Operação Successione nesta terça-feira (25), tendo como alvo familiares do deputado estadual Neno Razuk (PL). Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e de 27 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de alvos nos Estados do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Conforme apurado pela reportagem, entre os alvos está o pai do parlamentar, Roberto Razuk, esposo da ex-prefeita de Dourados, Délia Razuk. E os irmãos de Neno, Jorge e Rafael Razuk.
Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em dinheiro, armas, munições e máquinas de cartão.

As fases anteriores da Operação Successione revelaram a atuação de uma organização criminosa armada, violenta, que se dedicava à exploração de jogos ilegais, corrupção e demais delitos correlatos, responsável por roubos com emprego de arma de fogo, no contexto de disputa pelo monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, em razão do vácuo deixado após a operação Omertá.
Com a continuidade das investigações foi possível identificar mais 20 integrantes dessa organização criminosa, inclusive outros líderes, que atuavam para estabelecer seu domínio no jogo ilegal em Mato Grosso do Sul, onde já atuam em diversos municípios.
O deputado estadual Neno Razuk foi um dos alvos da Operação Successione em 2023, que apura a disputa pelo controle do jogo do bicho na capital, com a chegada de novos grupos criminosos que vieram para Campo Grande após a Operação Omertà.
À reportagem, foi esclarecido que o deputado não foi alvo de mandados nesta fase da operação. O advogado da família Razuk, João Arnar Ribeiro, confirmou a prisão dos três familiares do parlamentar e disse acompanhar as diligências contra os suspeitos.

Successione denuncia deputado
Em 2023, o Gaeco apresentou denúncia criminal contra o deputado estadual de Mato Grosso do Sul Neno Razuk (PL) e mais dez pessoas. Todas são acusadas de integrar um grupo criminoso que agia ilegalmente para tomar o controle do jogo do bicho em Campo Grande.
As 11 pessoas foram acusadas pelo Gaeco de “constituir uma organização criminosa dedicada à prática dos crimes de roubo majorado, exploração de jogos de azar, corrupções, entre outros”.
Ao deputado estadual é atribuída a chefia da organização criminosa.
Neno, segundo as conclusões do Gaeco, trouxe de sua região, Dourados, aliados para a investida no jogo do bicho em Campo Grande, em razão do vácuo deixado pela operação Omertà, responsável por levar à prisão o clã Name e seus funcionários – organização que durante anos dominou a exploração do jogo ilegal na cidade, conforme as investigações.
“A investigação revelou que a organização criminosa liderada por ROBERTO RAZUK FILHO (“NENO RAZUK”) tem praticado crimes de toda ordem, em especial roubos a mão armada e exploração do jogo do bicho, perturbando intensamente a paz social dos munícipes de Campo Grande/MS e de outras cidades do Estado”, diz Gaeco na peça em que chegou a pedir prisão de Neno Razuk.
Na representação em que o grupo de promotores pediu à Justiça ordem para prisões e buscas da primeira fase da operação Successione, foi incluída solicitação de mandado de restrição de liberdade para Neno Razuk, porém o juiz entendeu não ser possível, em razão da “imunidade formal”, ou seja, o fato de ser parlamentar, com foro privilegiado.
Esse entendimento só valeu para o pedido de prisão. As outras medidas foram acatadas, como por exemplo a busca em endereço onde Neno mora em Campo Grande. Nesse caso, vale a análise já pacificada de se tratar de crime sem relação com o exercício da função pública, assim como ocorreu com o também deputado estadual Jamilson Name (PSDB), em réu em ações derivadas da Omertà.
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