Superlotação e falhas graves colocam 2 cadeias femininas de MT sob risco de interdição

Inspeções apontam falta de água, ausência de segurança contra incêndio e risco de motins em unidades femininas.

A superlotação crítica, a falta de segurança contra incêndio e o fornecimento irregular de água potável levaram o Ministério Público de Mato Grosso a expedir notificações recomendatórias cobrando medidas urgentes nas cadeias públicas femininas de Arenápolis e Nortelândia, em Mato Grosso. Nos dois casos, o MP determinou a suspensão imediata do recebimento de novas presas e o remanejamento do excedente carcerário, sob risco de judicialização e até interdição total das unidades.

cadeia feminina arenapolis
Inspeção do Ministério Público apontou superlotação crítica e falhas estruturais em cadeias femininas. Foto: Ilustração

Na Cadeia Pública Feminina de Arenápolis, a situação ultrapassa o limite considerado aceitável. A unidade, projetada para 86 vagas, abriga atualmente 155 mulheres, mais que o dobro da capacidade. Inspeção do MP apontou inexistência de Plano de Prevenção e Combate a Incêndio, ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, fornecimento descontínuo de água, falta de separação entre presas provisórias e condenadas e inexistência de assistência educacional, psicológica e social permanente.

Já em Nortelândia, o cenário é ainda mais sensível. A cadeia feminina, com capacidade para 60 vagas, passou a custodiar 136 mulheres, excedente de 76 presas. O colapso resultou em um motim registrado em 31 de dezembro de 2025, com agressões generalizadas, detentas mantidas como reféns e ameaças a servidores, evidenciando falhas graves na segurança interna da unidade.

Alerta do Ministério Público

Cadeias femininas vivem colapso estrutural

Superlotação crítica, falta de água e ausência de segurança contra incêndio em unidades de MT

Arenápolis
155
mulheres custodiadas para uma capacidade de 86 vagas
Excedente: 68 presas
Mais que o dobro da capacidade
Nortelândia
136
mulheres custodiadas para uma capacidade de 60 vagas
Excedente: 76 presas
➜ Unidade já registrou motim
Principais problemas
  • Sem plano de prevenção contra incêndio
  • Fornecimento irregular de água potável
  • Risco iminente de motins
  • Presença de facções criminosas
  • Falta de separação entre presas
  • Ausência de assistência educacional e psicológica
Fonte: Ministério Público de Mato Grosso • Arte: Primeira Página

Segundo o Ministério Público, o agravamento da superlotação nas duas unidades é consequência direta da interdição de outros presídios femininos no estado, que acabou concentrando o fluxo prisional em Arenápolis e Nortelândia de forma considerada insustentável. O órgão alerta para risco iminente de novos motins, agravado pela presença confirmada de facções criminosas nas unidades.

Os promotores estabeleceram prazo de até 15 dias para que a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) providencie a transferência do excedente carcerário para unidades com condições adequadas e determine a suspensão de novas entradas até que a capacidade seja respeitada.

A Sejus também deve apresentar resposta formal em até cinco dias, com comprovação das providências adotadas.

O Ministério Público advertiu que o descumprimento das recomendações poderá resultar na adoção de medidas judiciais, incluindo a interdição total das cadeias e a responsabilização pessoal dos gestores, nas esferas cível, administrativa e criminal.

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Comentários (1)

  • Antony silva

    Alguém poderia perguntar ao nobre promotor em qual unidade prisional do Brasil existe a separação de condenados e provisórios , já que todas as unidades construídas a mais de 60 anos algumas sendo que celas são de convívio ?
    Outra questão como o promotor resolverá o aumento gigantesco de faccionados no estado ? Onde todas as cadeias e presídios são a maioria faccoes do crime organizado comando vermelho , somente uma unidade em Cuiabá possui vaga para o PCC? Água é gasto mais de 20 mil reais por mês e água é constante nas unidades ainda mais nessas unidades prisionais pequenas .
    Ausência educacional e psicologa qualquer um sabe que não há concurso e muito menos profissionais na área para unidades menores cadeias . E se na tem conhecimento toda semana é realizado atendimento por vídeo conferência com psicólogo ,médico , e educacional , todo ano é realizado o ano letivo prisional . Basta procurar a informação correta . Porque o promotor não solicita a transferência de condenados para presididos já que é previsto em lei ?